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Chumbar o ano?

Quantas vezes o aluno reprova não por não ter adquirido as competências essenciais mas por não “vomitar” os conteúdos tal como o professor os “ingeriu”? Por Diogo Henriques
Foto Paulete Matos

O que é feito? Qual é a solução? Precisamos de um método diferente?!

O ensino só se concretiza, se, de facto, houver assimilação por parte daquele a que esse ensino se dirige. Por muito eloquente que seja o que ensina, por excelentes sumários que faça em concordância com os conteúdos programáticos, por muito satisfeito que se sinta após cada momento de ensino, tudo desmorona se a aprendizagem não se efetivou. Só se há aprendizagem é que se pode falar em ensino.

Só se houver adequação dos conteúdos programáticos transmitidos à estrutura cognitiva do aprendiz é que podemos afirmar que o ensino se consumou. Ensinar é aprender, não há ensino dissociado da aprendizagem. Ensinar é veicular conhecimentos que se ajustam à estrutura intelectual do que aprende.

O recetor da política educativa não é um indivíduo abstrato, meramente pensado, que posso ser formatado em conformidade com as imposições governativas. Pelo contrário, é um indivíduo concreto, multifacetado, inserido no meio sociocultural da família.

Meios familiares distintos, realidades socioculturais diferentes, que predispõem de modos diversos a aprendizagem de certos conteúdos programáticos. Se o conteúdo a transmitir diz pouco ou nada ao aprendiz, é muito difícil motivá-lo. E a situação agrava-se quando tem que concorrer com outros que se sentem motivados. É exemplo paradigmático, os milhares de estudantes portugueses que todos os anos “chumbam” o ano escolar por não conseguirem acompanhar a matéria como os restantes colegas.

O ensino tem que ser exigente e, simultaneamente, adequado à realidade concreta de cada aluno, desenvolvendo, essencialmente, competências reforçadas com conteúdos programáticos.

Quantas vezes o aluno reprova não por não ter adquirido as competências essenciais mas por não “vomitar” os conteúdos tal como o professor os “ingeriu”?!

Precisamos, obrigatoriamente, de uma solução para isto!

“Chumbar” o aluno para o minimizar, para o rebaixar, para o castigar, não pode ser a solução.

O repetente é colocado numa turma de alunos mais novos, tendo tendência a impor a sua liderança, e não liga, na maioria dos casos, ao conteúdo das disciplinas porque já as teve no ano anterior.

O método de ensino atualmente utilizado não é eficaz. Os professores ensinam tudo a todos da mesma maneira e ao mesmo tempo, como se preparava os alunos há 50 ou 100 anos, apoiando o ensino na capacidade de reproduzir conteúdos, sem valorizar a criatividade ou a experimentação, o que já não faz qualquer sentido numa sociedade que entretanto mudou radicalmente.

Há métodos de ensino, centrados no aluno, utilizados em alguns países nórdicos europeus, como é o caso da Finlândia e da Noruega, que poderão servir de referência, adequando às nossas peculiaridades, a alterações profundas no nosso sistema educativo.

Tem que haver uma mudança!

Obrigar um aluno a repetir o ano letivo é um castigo demasiado severo, quer do ponto de vista psicológico, afetivo ou social, o que uma verdadeira política educativa não deveria permitir.

A solução não está em castigar, mas sim em reforçar!

As turmas deveriam ter um número de alunos que permitissem ao professor executar um plano de aula individualizado, adequado aos níveis motivacionais de cada aluno.

As escolas deveriam ter grupos de apoio multidisciplinares que apoiassem os alunos nas disciplinas com dificuldades, quer em aulas de apoio complementares quer coadjuvando o professor responsável pela disciplina na sala de aula.

O que preconizo é uma escola verdadeiramente democrática, que pretenda e consiga o sucesso de todos os alunos. Uma escola integradora, acolhedora, que ofereça condições para a concretização do (binómio) ensino-aprendizagem.


Por Diogo Henriques, estudante
 

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