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Chelsea Manning sucede a Rui Pinto na lista de vencedores do prémio do GUE/NGL

A ex-analista de informação do exército dos EUA, a organização de investigação alemã Correctiv e os denunciantes da Novartis, da Grécia, receberam o prémio que distingue jornalistas, lançadores de alerta e defensores do direito à informação.
A ex-analista de informação do exército dos EUA Chelsea Manning. Foto GUE/NGL.

Os vencedores do prémio de 2020, anunciados esta quarta-feira pelo grupo confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL), foram reconhecidos “pelo seu trabalho em expor a verdade e pela sua coragem em arriscar as suas carreiras e liberdade pessoal”. Em 2019, a distinção foi atribuída ao fundador do Wikileaks Julian Assange, ao denunciante da Nestlé Yasmine Motarjemi e ao português Rui Pinto, do Football Leaks.

A distinção foi criada em homenagem a Daphne Caruana Galizia, jornalista dos Panamá Papers assassinada em Malta a 16 de outubro de 2017. Os seus assassinos continuam impunes. A cerimónia deste ano é ainda dedicada ao Dr. Li Wenliang, o médico chinês que primeiro alertou para a gravidade do surto de coronavirus e que, posteriormente, morreu no hospital em Wuhan.

"Este prémio deve servir como um alerta"

Chelsea Manning agradeceu o prémio e sublinhou que o mesmo deve servir como um aviso face ao que está a acontecer nos Estados Unidos da América.

A ex-analista de informação do exército dos EUA fez referência aos ataques cada vez mais frequentes à liberdade de imprensa durante a crise pandémica, à proliferação de fake news, à repressão de manifestações pacíficas e ao ataque à própria democracia.

"Há dez anos já sabíamos que isto ia acontecer. Agora, infelizmente, está a concretizar-se", avançou.

“Direitos e liberdade foram drasticamente reduzidos durante atual pandemia”

Durante a cerimónia de atribuição dos prémios, Marisa Matias afirmou que espera que esta distinção possa trazer "apoio moral" a Chelsea Manning, que suportou anos de sofrimento físico e emocional.

"Os EUA podem vê-la como uma traidora. Mas, em todo o mundo, ela é o emblema da liberdade de expressão", frisou.

“Este prémio é a humilde contribuição de nosso grupo para homenagear aqueles que têm coragem de colocar em prática os pilares da democracia, como o direito à informação e a liberdade de imprensa”, assinalou Marisa Matias.

“Os homenageados este ano são exemplares desta luta”, acrescentou a eurodeputada do Bloco.

Marisa Matias, uma das promotoras do prémio e membro do seu júri, alertou ainda que “os direitos e a liberdade foram drasticamente reduzidos durante atual pandemia”.

Chelsea Manning, o consórcio de investigação Correctiv responsável pela divulgação do escândalo Cum-Ex, e os lançadores...

Publicado por Marisa Matias em Quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Também Miguel Urbán, dos Anticapitalistas do Estado Espanhol, congratulou os três vencedores.

“Com a pandemia Covid-19, o caso da Novartis mostrou como a privatização da saúde é prejudicial e por que devemos defender os sistemas de saúde públicos e universais. Ao fazer isso, a colaboração dos media e dos jornalistas para expor os negócios duvidosos da grande indústria farmacêutica é essencial”, apontou.

No que respeita ao trabalho da Correctiv, Miguel Urbán afirmou que este “mostra como é essencial que jornalistas e os media se apoiem mutuamente e para colaboração internacional”. O eurodeputado lembrou ainda que a investigação desenvolvida pela organização alemã sem fins lucrativos “ajudou a expor a coordenação internacional bem estabelecida entre grandes bancos europeus, seguradoras e fundos de investimento”.

“Precisamos desse tipo de trabalho de investigação, e essa colaboração internacional para expor a verdade é vital”, defendeu.

Já Chelsea Manning “teve que suportar pena de prisão por defender o direito à informação”, com “terríveis consequências para a sua vida pessoal” e foi “uma peça chave na divulgação de milhares de documentos secretos dos EUA em 2010”.

“Como jornalistas, lançadores de alerta como Manning deveriam ser protegidos de retaliação e não ser perseguidos por defender o interesse público ”, rematou.

Stelios Kouloglou, representante do Syriza, da Grécia, destacou que “graças à compaixão demonstrada pelo GUE/NGL para com os heróis do nosso tempo – lançadores de alerta e jornalistas que lutam pela verdade - este prémio, agora no seu terceiro ano, está firmemente estabelecido como um dos principais eventos aqui no Parlamento Europeu”.

A par da ex-analista de informação do exército dos EUA Chelsea Manning, da organização de investigação alemã Correctiv e dos denunciantes da Novartis, da Grécia, tinham ainda sido nomeados para este prémio Eileen Chubb, cuidadora britânica que expôs o abuso generalizado de idosos nas instalações da BUPA, uma multinacional que se dedica à venda de planos de seguro e à prestação de cuidados de saúde; Glenn Greenwald, cofundador do The Intercept e uma das principais figuras na divulgação dos documentos recolhidos por Edward Snowden da NSA; e Omar Rojas Bolaños, ex-coronel da polícia nacional colombiana atualmente no exílio, que expôs os assassinatos extrajudiciais de milhares de homens e mulheres nas mãos das forças policiais, exército e governo do país.

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