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“Chega de massacrar a maioria de sempre para proteger a minoria do costume”

Marisa Matias garantiu que tudo fará para que em Portugal “mandem aqueles que os portugueses elegeram”. Se for eleita, garante que a Assembleia da República e António Costa podem contar com o seu apoio “para defender o nosso país”.
Foto de Paulete Matos

Marisa Matias afirmou, em Almada, que “o tempo que vivemos agora é o tempo de juntar forças”, que há um compromisso da atual maioria para “virar a página da austeridade e olhar para todos aqueles que foram atacados ao longo de quatro penosos anos”.

A candidata presidencial lembrou que um dos primeiros diplomas que o próximo Presidente terá em mãos será precisamente o Orçamento de Estado de 2016, e defendeu que esse “pode ser o primeiro passo na direção do país que eu defendo, que os portugueses merecem e que a Constituição exige”. Contudo, disse estar atenta a notícias que têm surgido “sobre eventuais imposições da Europa que possam vir a desfigurar esse orçamento e esse caminho que há tão pouco tempo iniciámos”, para advertir que quem em Portugal “tem de decidir sobre as escolhas da política económica e monetária é a Assembleia da República e o governo”.

Não farei vista grossa à violência sobre os direitos dos portugueses

Marisa Matias disse querer ser muito clara, como sempre foi ao longo desta campanha, e deixou a mensagem à Assembleia da República e ao primeiro-ministro, António Costa de que “se for escolhida pelos portugueses, poderão contar com todo o apoio da Presidente da República para defender o nosso país”, assegurando, também, que não fará “vista grossa à violência sobre os direitos dos portugueses e das portuguesas”.

“Comigo, salários, pensões, saúde, educação, cultura, igualdade, justiça são mesmo para proteger, seja qual for o governo, seja qual for a maioria”, declarou.

A candidata foi igualmente incisiva ao afirmar que “a devolução de rendimentos e apoios sociais, a proteção dos direitos do trabalho, a luta pela igualdade contra o privilégio, não são apenas medidas que cabem à Assembleia da República tomar. São medidas de resposta à emergência social com vista ao respeito pela vida, pelas dificuldades e pela esperança das pessoas. Se for eleita Presidente da República não exigirei menos do que isto”.

Sobre a sua campanha, sublinhou que a fez “para ajudar a deixar para trás o país das tristezas e de um triste presidente", e por acreditar que "ter direito a ter direitos é ter direito à alegria”. “O tempo que vivemos corre a cada minuto contra o passado e ao longo desta semana senti, sentimos, na rua uma força e uma que esperança que se agiganta a cada dia, (...) é tempo de fazer as escolhas que as pessoas merecem”, concretizou.

Mariana Aiveca: “A Marisa recolocou direitos onde eles tinham de ser recolocados”

A dirigente do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca, também interveio na sessão que decorreu na Academia Almadense, tendo salientado o “caminho tão longo” que se fez desde a candidatura de Maria de Lurdes Pintasilgo, em 1986, destacando conquistas como “recolocar as mulheres no seu lugar e a participação ativa das mulheres na política e na tomada de decisões”. Para Mariana Aiveca, a candidatura de Marisa Matias está a questionar “aquilo que é o senso comum de que os homens, por o serem, são mais capazes e, por isso, devem ser eles os presidentes. Nós aqui dizemos que não”. A dirigente bloquista manifestou o seu orgulho em Marisa Matias, pelo combate político que tem conseguido fazer, não só pelos direitos das mulheres, mas também “esse combate de tomada de decisões, na Europa e fora dela”, sem qualquer “medo”. “A Marisa recolocou direitos onde eles tinham de ser recolocados”, sublinhou.

Alfredo Barroso: “É na luta da candidata que temos que confiar”

Alfredo Barroso escolheu falar sobre “os fantasmas que ainda assombram Portugal”, como os mercados financeiros e da banca portuguesa e estrangeira, que classificou como “símbolos da agiotagem, da mesquinhez e da usura”, ao quererem “impor-nos mais políticas de austeridade e exercendo mais pressões para que sejam os contribuintes a pagar os desvarios e os desmandos da banca, segundo esta lógica perversa de que os lucros são para beneficiar os acionistas e os prejuízos são para ser pagos pelos cidadãos”. Para o antigo Chefe da Casa Civil de Mário Soares, “é preciso que nos libertemos firmemente deste modelo de sociedade dominada pelos ricos e poderosos”, e enunciou essa como uma das razões para apoiar Marisa Matias no próximo domingo. “É na luta da candidata que temos de confiar”, concluiu.

Joana Mortágua: "A Marisa une o país à esquerda em torno dos nossos direitos"

Para Joana Mortágua, deputada eleita por Setúbal, Marisa “foi a única que não se ficou pela defesa vazia dos valores de abril, a única que conseguiu perceber qual a verdadeira e atual ameaça à nossa liberdade, à nossa democracia e aos direitos da nossa Constituição, e a única que admitiu um conflito com Berlim para defender o país, e que se a ordem for para roubar e empobrecer o povo, a única resposta será desobedecer à Europa, desobedecer a Berlim”. 

"A Marisa representa um tempo novo, um tempo de esperança, uma lufada de ar fresco que não divide, antes traz para a esquerda o consenso do país, antes une o país à esquerda em torno dos nossos direitos", frisou.

Para a deputada bloquista, não há impossíveis na candidatura de Marisa Matias. Joana Mortágua falou da “dimensão do impossível”, comparando o seu significado nos tempos da ditadura, quando “o impossível era aquilo que a PIDE não deixava, ponto”, e mais tarde “impossível passou a ser aquilo que a troika ou a Europa não deixam”. Segundo a deputada “o impossível é sempre uma imposição, é sempre uma invenção”.

António Chora: "Marcelo é o mais matreiro de todos os candidatos da direita até hoje”

Por seu lado, António Chora acusou Marcelo Rebelo de Sousa de ser o candidato “mais comprometido com as malfeitorias que o governo PSD/CDS, a mando da troika ou por opção ideológica, fizeram ao nosso povo”, e que “continua a ser um vazio de ideias ou habilmente a esconder as que tem”. Para o coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa, “Marcelo é, sem dúvida, o mais matreiro de todos os candidatos da direita, que até hoje concorreram à Presidência da República”.

Luís Filipe Pereira salientou que “a luta que Marisa Matias trava neste momento é a luta pelos direitos, liberdades e garantias de um povo que, cada vez mais, tem esses direitos fundamentais mais ameaçados”. Para o dirigente bloquista, Marisa tem um “conhecimento sério e profundo das matérias em debate”, e tem “conseguido dinamizar e entusiasmar, e isso é valioso nestes tempos em que tanta gente mergulhou na desilusão a até desespero”. 

O comício em Almada contou ainda com uma atuação musical de Seiva, e as presenças da porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e o pianista António Pinho Vargas.

Foto de Paulete Matos

Foto de Paulete Matos

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