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Charlie Hebdo: tribunal condena os cúmplices do massacre

Ao fim de três meses e meio de julgamento, a sentença condenou os onze acusados a penas entre os quatro e os trinta anos de prisão por envolvimento na rede de apoio aos atentados de janeiro de 2015.
Capa do Charlie Hebdo de 16 de dezembro de 2020
Capa do Charlie Hebdo de 16 de dezembro de 2020

O desfecho judicial do processo dos ataques de janeiro de 2015 em Paris ficou conhecido esta quarta-feira, ao fim de três meses e meio de audição das testemunhas do ataque terrorista na redação do jornal satírico Charlie Hebdo e no supermercado judeu Hyper Cacher. Os autores dos ataques tinham sido mortos pela polícia após a perseguição, mas a investigação acerca dos seus contactos anteriores levaram onze pessoas ao banco dos réus, acusadas de terem prestado apoio logístico aos terroristas, nomeadamente na procura das armas que serviram para esses crimes.

Ali Riza Polat, o principal acusado e considerado peça-chave dos atentados, por ter acompanhado toda a preparação com os três autores dos ataques - os irmãos Kouachi e Amedy Coulibaly - foi condenado a 30 anos de prisão, a pena mais dura desta sentença. Também por crimes de terrorismo foram condenados outros três acusados a penas entre os 13 e os 20 anos de prisão. Os factos provados contra os restantes sete réus não chegaram para preencher o crime de terrorismo, mas apenas o de associação criminosa e por isso foram punidos com penas entre os 4 e os 10 anos de prisão. Os principais ajudantes dos crimes, julgados à revelia por terem fugido do país, foram a companheira de Coulibaly, Hayat Boumeddiene, condenada a 30 anos de prisão, e Mohamed Belhoucine a prisão perpétua, apesar das notícias que o dão como morto na Síria. A acusação contra o seu irmão Mehdi foi retirada por haver confirmação da sua morte durante os combates naquele país.

Após a leitura da sentença, o advogado do jornal afirmou que “não viemos aqui com um desejo de vingança, apenas com o desejo de compreender. Queríamos que fosse feita justiça, e foi”. Richard Malka acrescentou que o mais importante foi a mensagem transmitida pela sentença à sociedade: “Este processo era o de uma nebulosa mais ou menos próxima dos terroristas, que fornecia maior ou menor ajuda a estes terroristas. E o que diz esta decisão é que sem essa nebulosa, não há atentados”.

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