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CGTP sai à rua contra empobrecimento

No dia da votação do Orçamento, a central sindical convocou um protesto que inicia a campanha “Pelo aumento dos salários e pensões – Contra o aumento do custo de vida e ataque aos direitos”. Catarina Martins juntou-se à concentração em São Bento e afirmou que “Portugal é um exemplo do pior que Europa podia fazer” neste aspeto.
Manifestação da CGTP em frente ao Parlamento. Foto de ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA.
Manifestação da CGTP em frente ao Parlamento. Foto de ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA.

Enquanto no Parlamento decorria a votação do Orçamento do Estado para 2022, muitos trabalhadores protestavam à sua porta. A ação, organizada pela CGTP, pretendia denunciar “a perda de poder de compra” face à inflação crescente. E a escolha da data, esclarece Isabel Camarinha, secretária-geral da organização, “não foi inocente, pois o Orçamento do Estado não responde às necessidades dos trabalhadores e do país”.

A dirigente sindical defendeu que “o salário mínimo nacional tem de ser fixado nos 800 euros já em 1 de julho” para que os trabalhadores “não continuem a perder e a empobrecer”. Esta medida já tinha sido avançada nas comemorações do 1º de Maio, junto com um aumento extraordinário de todas as pensões e reformas num mínimo de 20 euros e o aumento extraordinário dos salários cuja atualização foi absorvida pelo aumento da inflação.

A CGTP avisa que esta concentração marca apenas o início de “uma grande ação de luta nacional” vai “engrossar com a luta a desenvolver durante todos os dias do mês de junho”. Segundo Isabel Camarinha, "o atual momento exige a intensificação do processo de luta para obter respostas extraordinárias, que são cada vez mais prementes devido ao constante aumento dos preços”.

Por isso, o lema desta campanha é precisamente “Pelo aumento dos salários e pensões – Contra o aumento do custo de vida e ataque aos direitos”. Para além disto, as ações dos trabalhadores vão ainda passar pela defesa da redução do horário de trabalho, pelo combate à desregulação dos horários e à precariedade, por uma legislação laboral que contribua para valorizar o trabalho e os trabalhadores e pelaa defesa do serviços públicos.

O governo português é "um exemplo do pior que a Europa podia fazer"

Catarina Martins e José Soeiro marcaram presença neste protesto. A coordenadora bloquista considerou a ação "natural" porque "as pessoas sabem" que "estão os preços todos a subir" e o que o Orçamento do Estado propõe é "deixar os salários e as pensões exatamente na mesma", o que corresponde a "um corte no salário e nas pensões".

Considerou ainda “particularmente preocupante que o governo português não queira sequer fazer o que os governos de outros países da Europa estão a fazer para equilibrar a economia”. No nosso país não se aumentaram salários, não se “faz nada” para controlar o aumento dos preços e, ao contrário da Itália e do Reino Unido, não se passou a “taxar a 25% quem tem lucros excessivos”, os chamados "lucros caídos do céu, que são da especulação”.

Para além disso, a inflação significa ainda que “os serviços públicos também vivem com menos”, com “menos médicos, menos acesso à saúde, menos acesso à educação, professores que faltam nas escolas, uma justiça que funciona pior”. O governo português decidiu não aproveitar o facto da União Europeia ter suspendido durante os próximos dois anos “todas as suas regras do déficit precisamente para que os países europeus, neste momento de instabilidade, pudessem investir nos serviços públicos fundamentais”.

Assim, “o governo português é desse ponto de vista um exemplo do pior que a Europa poderia fazer: não atualiza salários e pensões, não taxa os lucros excessivos como é recomendado pelas instituições internacionais e não usa a folga que a Europa dá sequer para os serviços públicos poderem responder a este momento tão difícil”, conclui a deputada, que acrescenta que “o primeiro orçamento desta maioria absoluta é de mais desigualdades sociais” e “desistência de quem trabalha e do país”, o que o Bloco considera “inaceitável”.

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