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CGD de Vale de Cambra instalou "picos" à porta para afastar sem-abrigo

Recentemente, a Caixa Geral de Depósitos instalou, no exterior da sua agência de Vale de Cambra, "picos anti sem-abrigo". A situação é denunciada pela coordenação distrital do Bloco de Aveiro, que a considera reveladora de “discriminação social” e de “um total desprezo” pelas pessoas mais desprotegidas.
O balcão da CGD de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres", acusa o Bloco. Foto de Bloco de Esquerda - Aveiro.
O balcão da CGD de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres", acusa o Bloco. Foto de Bloco de Esquerda - Aveiro.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) instalou, à porta da sua agência de Vale de Cambra, uma estrutura metálica com “picos” que impedem que alguém se sente ou deite no local. Porém, "aquele local sempre foi usado para algumas pessoas se sentarem e só depois de um sem-abrigo começar a sentar-se lá é que colocaram os pinos", refere a Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda, em Aveiro, no comunicado enviado à imprensa.

O Bloco considera a situação “reveladora de discriminação social” e também de “um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas da nossa sociedade" e, por isso, exige a “rápida retirada desse instrumento de tortura social”, dirigindo-se àquela agência do banco público.

O balcão da CGD de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres", acusa o Bloco, classificando esse gesto como “impensável numa sociedade que se diz moderna e democrática".

O comunicado acrescenta que "esta atitude anti-solidária e violenta" é agravada por se dirigir a pessoas que são também vítimas “de um modelo social falhado e de uma crise provocada em grande medida pela própria banca".

CGD diz ter feito obras para "proteger os seus clientes" de "atentados ao pudor"

Contactada pela Lusa, a CGD argumentou que que os pinos metálicos instalados na sua agência de Vale de Cambra visam impedir "atos de atentado ao pudor".

“A Caixa fez estas obras de modo a proteger os seus clientes, que têm o direito de frequentar a agência sem serem incomodados por atos de atentado ao pudor praticados por uma pessoa que passou a fazer da montra do banco o seu local de vida, com tudo o que decorre de uma situação destas em termos de higiene do espaço público", refere fonte oficial da instituição bancária.

A Câmara Municipal de Vale de Cambra, também contactada pela Lusa, explicou que tem acompanhado o caso e que em causa está uma pessoa “reformada, que não é sem-abrigo e que sofre de alcoolismo".

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