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Cessar-fogo e troca de prisioneiros entre Rússia e Ucrânia, mas o conflito continua

Putin e Zelinskiy encontraram-se em Paris numa cimeira fria. Acordaram em continuar um cessar-fogo por várias vezes quebrado e em trocar prisioneiros. Mas não acordaram em avançar para as eleições locais. Pelo meio, a questão do contrato de passagem do gás natural russo para a Europa continua a ser decisiva.
Emmanuel Macron, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky durante a cimeira da paz em Paris, 09 de dezembro de 2019. Foto de Ian Langsdon/EPA/Lusa.
Emmanuel Macron, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky durante a cimeira da paz em Paris, 09 de dezembro de 2019. Foto de Ian Langsdon/EPA/Lusa.

Sem aperto de mão. Sem foto a dois. Sem grandes sorrisos. Foi assim o clima em público da cimeira que fez reunir esta semana em Paris o presidente russo, Vladimir Putin e o seu congénere ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, com os dois mediadores, Emmanuel Macron e Angela Merkel, pelo meio.

O resultado foi, nas palavras de Zelenkiy, “um empate”. O conflito que separa os dois países há cerca de cinco anos manteve-se depois das oito horas de discussão e o que foi anunciado limitou-se a uma troca de prisioneiros e ao compromisso de manter o cessar-fogo. Questões fulcrais como o controlo das fronteiras nas regiões dominadas pelos separatistas pró-russos e as eleições locais continuam bloqueadas.

Não se avançou assim muito desde o segundo acordo de Minsk, em 2015, que tinha também sido mediado por França e Alemanha e que previa que a Ucrânia restaurasse controlo fronteiriço nas zonas disputadas após a realização de eleições locais e da concessão de vastos direitos autonómicos.

O presidente ucraniano não está satisfeito com o resultado alcançado pelo seu predecessor há quatro anos e quer forçar a obtenção de controlo militar antes da realização de eleições. Putin insiste que os termos de 2015 continuam a valer.

E até mesmo a parte anunciada como o grande progresso da cimeira de paz não é entendida da mesma forma pelos dois lados. Sobre a troca de prisioneiros, Zelenskiy congratulou-se com o futuro regresso a casa ainda este mês de 72 ucranianos mas os separatistas dizem que o que acontecerá é a troca de 53 presos ucranianos por 88 separatistas. Em dezembro de 2017, uma grande troca de prisioneiros tinha feito regressar 233 separatistas pró-russos e 73 soldados ucranianos ao seu lado da contenda.

Empatado está ainda outro dossier decisivo entre os dois países: não se chegou a acordo sobre um novo acordo de distribuição de gás natural. O contrato entre russos e ucranianos termina este ano e em disputa estão os futuros preços de passagem do gás russo para a Europa e a dívida. O gás russo passa pela Ucrânia antes de chegar à Europa pelo que a questão é acompanhada de muito perto pela União Europeia.

Segundo a Reuters, esta quarta-feira, fonte da Comissão Europeia avançou que, neste contexto, as sanções da UE contra a Rússia se manterão.

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