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“Centeno não é a pessoa indicada para ser governador do Banco de Portugal"

O Bloco de Esquerda considera que os exemplos das intervenções do ex-ministro das Finanças no Novo Banco e no Banif tornam inadequada a sua nomeação para o cargo. Mariana Mortágua considera também que a mudança de posição do PSD é “surpreendente”.
Fotografia de Miguel A. Lopes/Lusa.

Mariana Mortágua comentou em conferência de imprensa a formalização da proposta do Governo do nome de Mário Centeno, ex ministro das Finanças, para governador do Banco de Portugal e, substituição de Carlos Costa, deixando claro que para o partido “Mário Centeno não é a pessoa indicada para ser governador do Banco de Portugal”. 

A deputada do Bloco de Esquerda começou por criticar o processo escolhido pelo primeiro ministro António Costa: “O atual primeiro-ministro não teve nenhum momento formal para ouvir as opiniões dos diferentes partidos. Sabemos que António Costa fará a designação independentemente da posição dos partidos”. Mariana Mortágua lembra que esta atitude "distingue-se pouco" daquela adotada por Passos Coelho aquando da nomeação de Carlos Costa para o cargo que agora irá abandonar. 

A nomeação de Mário Centeno necessita forçosamente de uma avaliação política, sobretudo quando se fala de um ex-ministro das Finanças que passou “o último mês a discutir as várias injeções futuras possíveis no Novo Banco por conta de um contrato de venda à Lone Star”. 

"Ora, esse contrato de venda foi negociado, assinado e defendido por Mário Centeno enquanto ministro das Finanças, tal como foi no caso do Banif - um banco que foi alvo de uma injeção de dinheiro público para depois ser entregue ao Santander. São essas decisões que este Governo e que Mário Centeno tomaram relativamente à banca que não se distanciam muito quer do Banco de Portugal, quer do anterior Governo [PSD/CDS-PP]", argumenta Mariana Mortágua.

Concluindo, voltou a esclarecer que a avaliação feita pelo Bloco de Esquerda sobre a nomeação de Mário Centeno "não diz respeito às suas competências técnicas, diz respeito às decisões que tomou sobre a banca quando era ministro das Finanças".

A deputada aproveitou ainda a oportunidade para comentar o que considera ser uma “mudança radical” na posição do PSD, que agora afirma concordar que as mudanças nos critérios de nomeação do governador do Banco de Portugal não tenham efeito imediato. 

Mortágua considera que esta mudança de posição é surpreendente, “porque estive na reunião da Comissão de Orçamento e Finanças em que os deputados desse partido defenderam exatamente o contrário”.

“Houve uma mudança radical de posição, porque esses deputados do PSD quiseram terminar o processo legislativo quase a mata cavalos para se aplicar a esta nomeação. A posição do Bloco de Esquerda é a mesma desde o início: O processo legislativo tem de ter segurança jurídica e constitucional”, lembrou.

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