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Centenas de enfermeiros revoltados contra “injustiça laboral”

Mais de 700 enfermeiros assinaram uma carta à administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC) em protesto contra a desvalorização da profissão.
Entrada do Hospital de São José, em Lisboa
Foto de Paulete Matos.

A iniciativa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses juntou mais de 700 assinaturas de enfermeiros do CHULC que se dizem prejudicados pela contagem de pontos para efeitos de progressão na carreira e o que chamam de inversão da tabela salarial.

“O meu salário, ao final de 25 anos de trabalho, é 1.060 euros. Isto é lamentável, sinto-me humilhada, maltratada e desprezada. Já não consigo aguentar isto”, afirmou Daniela Santos à agência Lusa junto ao hospital de São José. Especialista desde 2009, só começou a receber o subsídio a que tem direito em 2018, mas com a integração na nova carreira perdeu pontos de desempenho, o que a leva a ter hoje um salário inferior ao de colegas com a formação base que entraram ao serviço na mesma altura que ela.

Esta situação não é exclusiva dos profissionais deste centro hospitalar e estende-se a todo o país. Para Maria José Birrento, enfermeira especialista há 26 anos, o que existe é o “acumular de injustiças” que leva cada vez mais profissionais a procurarem uma saída fora do país, uma “decisão difícil” que diz dever-se sobretudo “à situação de necessidade e a um profundo descontentamento com a profissão”, que resulta de “opções políticas”.

Conscientes de que a administração hospitalar não pode mudar a lei, consideram que no entanto ela tem “autonomia para avançar com propostas”. Por exemplo, com a atribuição de “relevante” a todos na avaliação de desempenho, sugere esta enfermeira. “Os enfermeiros estarão sempre na linha da frente e a responder às necessidades da população. Não podemos é ignorar a situação e o sentido de injustiça”, sublinhou.

O sindicato chama a atenção para o estado de “exaustão” destes profissionais e exige que sejam considerados todos os anos de serviço para efeitos de progressão.

O SEP enviou na quinta-feira o seu manifesto aos partidos que vão às eleições legislativas de 30 de janeiro. Entre as reivindicações sindicais estão o reforço do financiamento do Serviço Nacional de Saúde, a admissão de mais profissionais e a regularização das situações de precariedade.

“O crescente reconhecimento da imprescindibilidade da ação dos enfermeiros por parte dos sucessivos governos não tem tido tradução na melhoria do valor económico e social das suas trajetórias profissionais, nem das suas condições de trabalho”, diz o sindicado em comunicado citado pela agência Lusa. E dão como exemplo a penosidade do trabalho por turnos, que “não é compensado e as perspetivas de desenvolvimento profissional [são] quase inexistentes”.

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