Os concertos previstos para o largo Camões foram desmarcados por causa do mau tempo. A manifestação não. Assim os mais de 400 manifestantes que percorreram, apesar da forte chuva, o caminho entre o Rossio e o Largo Camões não desmobilizaram. Gritavam: “Alerta, alerta, antifascistas” e “fascistas, racistas, fora das nossas vidas”.
Numa das faixas podia ler-se “não esquecemos, não perdoamos”. Isto porque um dos motes da manifestação era o repúdio aos assassinatos devido a crimes de ódio. Por isso, a cara de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana morto pela extrema-direita em 1995 no Bairro Alto, se via noutra das faixas. Para além de Alcino Monteiro, os manifestantes lembraram ainda José Carvalho, Pavlos Fyssas, Clément Méric, Carlos Palomino, Roger Albert e “todas as pessoas que morreram ou sofreram às mãos do ódio racista e fascista”.
Defendem ainda que é partir do contexto gerado pelas “elites financeiras” que “fomentam o permanente aumento das desigualdades sociais e, consequentemente, da repressão a todas as pessoas que contra elas resistem” que “germinam ideias racistas e xenófobas, tentando encontrar o bode expiatório nas minorias que mais sofrem com este sistema.”
Em representação do Bloco, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa congratulou-se com as centenas de pessoas que "enviaram uma mensagem clara pela democracia e contra o racismo."