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Cavaco Silva faz parte da “onda de propaganda à austeridade permanente"

Durante uma sessão pública em Santa Maria da Feira, que teve lugar esta sexta feira, Catarina Martins afirmou que Cavaco Silva é "o homem que tem apelado ao consenso para que a austeridade se mantenha”. A eurodeputada Marisa Matias acusou Durão Barroso de querer “garantir o seu futuro apesar de ter destruído o futuro dos cidadãos e das cidadãs que vivem no espaço europeu”.
Foto de Paulo Oliveira.

Cavaco Silva é "o homem que tem apelado ao consenso para que a austeridade se mantenha, o homem que não sentiu necessidade de mandar o Orçamento do Estado de 2014 para o Tribunal Constitucional - nem sequer o retificativo - e o homem que não vetou os cortes nas pensões", lembrou Catarina Martins durante a iniciativa “15 anos do Bloco – Desobedecer à Europa da austeridade”.

"O mesmo Presidente da República que não se preocupava com nada disto veio hoje dizer que não sabe nada de novos cortes. Ora se o Presidente não ouviu falar disso, estaremos todos sossegados, com certeza", avançou a coordenadora nacional do Bloco, fazendo referência ao facto de Cavaco Silva ter afirmado não ter conhecimento dos cortes nas pensões anunciados por fonte oficial do Ministério das Finanças.

Segundo a dirigente bloquista, o que o presidente da República fez foi "um discurso para tentar fazer parte desta onda de propaganda à austeridade permanente, de consenso para a destruição de um país, de consenso para a humilhação de quem vive do seu trabalho e de quem trabalhou toda uma vida".

“Não esquecemos quem segurou o Governo quando ele deveria ter caído”, frisou.

Catarina Martins defendeu ainda que as referências do Governo PSD/CDS-PP a "sinais positivos" constituem "um novo engano para tentar que as pessoas acreditem" que esta política "possa levar a mais algum lado que não seja só a destruição".

"Se existissem sinais positivos andava Nuno Crato a cortar mais na Educação e Paulo Macedo a ver onde pode cortar mais na Saúde? Se existissem sinais positivos estava meio milhão de crianças em Portugal sem abono de família?", questionou a deputada do Bloco.

O Governo pretende apenas "fazer acreditar que há uma coisa acima de todas as outras e que essa são os mercados financeiros", referiu a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, sublinhando que “a única atividade sem risco nesta crise é exatamente a atividade que criou a crise”.

Admitindo que "não é fácil fazer uma reestruturação da dívida", Catarina Martins salientou que “entre ficarmos ajoelhados ou levantarmo-nos para exigir essa reestruturação, para exigir um referendo ao Tratado Orçamental e para tomar a vida nas nossas mãos, há a diferença entre um caminho difícil em que estamos cada vez pior e um caminho difícil em que estamos a construir o futuro".

Barroso além de ser um fiel vassalo dos mercados financeiros é um homem vaidoso

“Durão Barroso, que nós sabemos que chegou à presidência da Comissão Europeia (CE) porque resolveu ser porteiro na Base das Lajes de uma guerra que ainda não teve fim”, e que é um “serviçal mor ao serviço dos mercados financeiros e dos governos de retrocesso”, refere agora que “Portugal terá de encontrar um candidato à presidência da República que seja comum entre o PSD, o CDS e o PS”, afirmou a eurodeputada e cabeça de lista do Bloco às eleições europeias, Marisa Matias, referindo-se à entrevista do atual presidente da CE ao jornal Expresso, publicada este sábado.

“Durão Barroso além de ser um fiel vassalo dos mercados financeiros é um homem vaidoso que quer garantir o seu futuro apesar de ter destruído o futuro dos cidadãos e das cidadãs que vivem no espaço europeu”, acusou Marisa Matias.

“A única coisa que nos pode salvar é uma ação de desobediência a esta Europa da austeridade”, defendeu a eurodeputada, frisando que o “mínimo dos mínimos, o mínimo da dignidade” passa por referendar o Tratado Orçamental.

A sessão a propósito do 15º aniversário do Bloco de Esquerda contou ainda com a intervenção de Moisés Ferreira, que falou no trajeto do Bloco até à data e no desafio da “luta contra a austeridade” e de “transformar a Europa como nós a conhecemos”.

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