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Catarina quer descer IVA da eletricidade e IRS de quem vive do seu salário

Coordenadora do Bloco defende que “é com um sistema fiscal mais justo”, em que quem tem mais não foge às suas obrigações, “que podemos aliviar quem vive do trabalho” e investir em setores fundamentais como a Saúde e a Educação.

Durante o debate com todos os candidatos e candidatas às eleições legislativas de 30 de janeiro, a dirigente bloquista criticou a direita por tentar convencer o país de que será tornando “a vida mais fácil a quem tem mais rendimento” que o país pode crescer. Em contrapartida, Catarina quer descer o IRS de quem vive dos rendimentos do seu trabalho e também “descer o IVA de algo tão fundamental como a eletricidade”, que atualmente paga a taxa máxima.

“Para isso, é preciso acabar com “benefícios fiscais abusivos e transferências para offshores, que retiram ao país todos os anos mais de 800 milhões de euros”, assinalou.

Catarina defendeu que “é com um sistema mais justo”, em que quem tem mais não foge às suas responsabilidades, “que podemos aliviar quem vive do trabalho e investir” em setores fundamentais como a Saúde e a Educação.

Bloco provou “que se podia fazer um caminho diferente”

A coordenadora bloquista defendeu que “o salário é a primeira forma de redistribuição da riqueza e aquela que faz com que o país possa avançar”. Catarina lembrou que, em 2015, quando nos diziam que “era impossível valorizar salários e pensões, e o próprio PS queria cortar 1600 mil milhões nas pensões”, o Bloco provou “que se podia fazer um caminho diferente”.

E os bloquistas provaram também, ainda durante a pandemia, “como é importante apoiar quem está mais vulnerável”. Em 2020, o Bloco foi o único partido de esquerda a viabilizar o Orçamento suplementar que se verificou necessário para responder às necessidades do país. Mas o Partido Socialista optou por deixar uma verba de cerca de 7 mil milhões de euros por executar. Aquando da discussão do Orçamento do Estado para 2021, o Bloco avisou “que não havia apoio social para quem mais precisa”, e o PS acabou por ter de “corrigir o seu orçamento ao longo do ano de 2021 porque, tal como o Bloco tinha dito, o Orçamento era manifestamente insuficiente”.

“Ainda assim, foi com o SNS e apoios diretos a quem trabalha que se impediram maiores danos no país”, e “o Bloco esteve sempre a trabalhar para essas soluções”, assinalou Catarina.

“Eu bem sei que o negócio da saúde é muito apetecido"

Portugal tem “profissionais de saúde extraordinários”, com formação gabada a nível internacional mas que “não têm condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde”, prosseguiu Catarina.

A coordenadora do Bloco realçou que uma das propostas do Bloco passa por “concretizar a dedicação exclusiva de que falava António Arnaut para um SNS do século XXI”, que permite profissionais dedicados aos utentes e também uma melhor remuneração.

A direita tem dito que quer resolver o problema contratualizando com o privado. Catarina lembrou que a Lei de Bases da Saúde já diz que quando o SNS não responde se deve contratualizar com o privado, como acontece, por exemplo, com a hemodiálise. Por isso, concluiu, a direita está a “levantar um fantasma que não existe”.

Referindo-se à proposta de Rui Rio de o Estado vir pagar consultas com médico assistente no privado quando não há médico de família, Catarina afirmou que "três dias de consultas de médico assistente no privado custam um mês de médico de família no centro de saúde". E contrapôs que "é muito melhor utilizar os nossos recursos para que os médicos fiquem no SNS e termos médicos de família do que enganarmos as pessoas com médicos assistentes que não lhes dão os cuidados integrados que elas merecem". A proposta do PSD serfia uma forma de "gastarmos dinheiro ao Estado que ninguém diz como vai pagar”, rematou Catarina.

Eu bem sei que o negócio da saúde é muito apetecido. Isabel Vaz, que dirige um grande grupo de saúde, diria que não há melhor negócio do que a saúde a não ser o armamento”, acrescentou.

A coordenadora do Bloco lembrou que os quatro dirigentes da direita presentes tiveram cargos de responsabilidade nos partidos ou cargos de nomeação do governo PSD/CDS no tempo na troika, em que o país sofreu os maiores cortes no SNS, nas pensões e nos salários.

“O voto no Bloco impôs que houvesse um acordo à esquerda”

Catarina Martins insistiu que, “no dia a seguir às eleições, não vamos estar a discutir o Orçamento, vamos estar a discutir um contrato de Governo para Portugal que resolva as questões fundamentais”.

A coordenadora do Bloco explicou que ninguém lhe pede na rua “uma maioria absoluta”: “Vêm falar-me do salário, da pensão, da saúde, e vêm também pedir-me: ‘Entendam-se’”.

“Ninguém vem pedir uma maioria absoluta. Até António Costa seria incapaz de assinalar uma maioria absoluta que o país teve como um exemplo a que queira voltar. As pessoas vêm-me pedir sim entendimentos que resolvam questões concretas, e a esses entendimentos o Bloco de Esquerda não faltará”, garantiu.

Catarina lembrou que, em 2015, propôs ao primeiro-ministro um acordo para o país durante um debate e que, na altura, o Partido Socialista não respondeu, fazendo o seu caminho para tentar alcançar uma maioria absoluta. “Mas, na verdade, o voto impôs que houvesse um acordo à esquerda. E ainda bem que houve”, frisou a dirigente bloquista, lembrando que o voto no Bloco em 2015 fez com que fosse possível que Pedro Passos Coelho não fosse primeiro-ministro, e permitiu “iniciar um ciclo diferente em Portugal”, com recuperação de salários e pensões, e com crescimento económico.

"Cada voto no Bloco vai ser um voto para defender soluções para o país"

A dirigente do Bloco acusou a direita de querer "utilizar os problemas estruturais que o país tem, e que se agravaram com a pandemia, para uma imensa privatização de setores fundamentais, para precarizar ainda mais o trabalho, e para dar borlas fiscais aos milionários, enquanto deixa quem trabalha, quem tem a sua pensão, na mão".

"É preciso dizer também que o Partido Socialista, com a maioria absoluta que pede, quer deixar os problemas agudizarem-se, seja na saúde, seja no salário, seja nas pensões", acrescentou.

O Bloco quer, por outro lado, acabar com os cortes nas pensões herdados da troika que ainda persistem, quer garantir salários dignos e responder à transição climática. Ea terminar o debate, Catarina deixou uma garantia: "cada voto no Bloco vai ser um voto para defender soluções para o país".

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