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Catarina Martins: O direito ao descanso é uma das grandes batalhas do século XXI

Esta quarta-feira, em Almada, Catarina Martins manifestou solidariedade com a greve na Autoeuropa: "Foi um dia pelo direito à vida familiar, esta reivindicação é essencial e a produção não pode varrer os direitos dos trabalhadores". A candidata à autarquia, Joana Mortágua, defendeu que “o Bloco é a alternativa às políticas de direita nos transportes públicos e na habitação”.
Catarina Martins: "A Autoeuropa é um exemplo de democracia, onde os trabalhadores escolhem, e isso é muito importante". Foto Esquerda.net.
Catarina Martins: "A Autoeuropa é um exemplo de democracia, onde os trabalhadores escolhem, e isso é muito importante". Foto Esquerda.net.

A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve presente no comício em Almada e manifestou solidariedade com a greve dos trabalhadores da Autoeuropa, lembrando que a "conciliação da vida pessoal não é coisa pouca e é essencial para todos nós". Aliás, “o direito ao descanso é uma das grandes batalhas do século XXI”, defendeu.

"Tinha dito que a posição da administração de não negociar não cumpria a tradição da Autoeuropa. Os trabalhadores quando fazem greve nunca é de ânimo eleve, é o último recurso utilizado quando é necessário, e os votos que faço é que se alcance uma boa solução", disse Catarina Martins.

"Foi um dia de greve pelo direito à vida familiar e a produção não pode varrer os direitos dos trabalhadores", argumentou, considerando ainda que a Autoeuropa é um exemplo do ponto de vista democrático, “um caso raro no país”. "A Autoeuropa é um exemplo de democracia, onde os trabalhadores escolhem, e isso é muito importante. É raro os trabalhadores serem chamados a votar sobre o que pensam dos acordos e isto deve ser preservado e alargado a outras empresas", frisou.

"Tem de se deixar a ameaça de deslocalização de lado, porque não tem sentido."

Catarina Martins defendeu também que as "ameaças não são o caminho para encontrar soluções". "Tem de se deixar a ameaça de deslocalização de lado, porque não tem sentido, e discutir como se aumenta a produção e se aumenta os postos de trabalho, mas conciliando com a vida pessoal dos trabalhadores", disse.

Catarina Martins lembrou ainda que António Chora já não está na comissão de trabalhadores da Autoeuropa, mas tem a sua visão "muito informada sobre a empresa" e “reconhece a importância da conciliação da vida familiar e que podem ser feitos avanços nesse sentido".

Bloco propõe criação de uma entidade pública de transportes intermunicipal

No comício, em Almada, a candidata do Bloco à autarquia ironizou sobre a recente intervenção de Cavaco Silva, alegando que “a direita quer ressuscitar, nas autárquicas, os governantes que foram derrotados nas legislativas”.

Lembrando que o PSD propõe Maria Luís Albuquerque como candidata à câmara, em Almada, Joana Mortágua perguntou: “Mas que projeto pode ter para Almada a ex-ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho e o partido que aumentou impostos, cortou salários e pensões, e impôs a austeridade?”

“O Bloco de Esquerda é a alternativa que rejeita as políticas de direita”, defendeu, dando vários exemplos de propostas nas áreas das políticas de habitação e dos transportes públicos, como a criação de uma entidade pública de transportes intermunicipal, “que resgate as carreiras concedidas aos TST e que prestam hoje um mau serviço à população”.

As maiorias não fazem bem à democracia

No comício, intervieram também Carlos Guedes, que lidera a lista do Bloco na candidatura à Assembleia Municipal de Almada, e Sandra Cunha, deputada bloquista na Assembleia da República, eleita pelo círculo de Setúbal.

Carlos Guedes enumerou erros e incompetências da atual gestão camarária da CDU, em Almada, como a falta de transparência e a substituição de postos de trabalho por voluntariado jovem, no festival ‘O Sol da Caparica’: “Embora haja quem não goste de o ouvir, nós dizemo-lo na mesma, as maiorias não fazem bem à democracia e esta não fez bem nenhum a Almada. Queremos reconquistar a confiança da população no seu governo local”. “Os 60% de abstenção de há 4 anos são um indício claro do alheamento que queremos combater”, disse ainda.

Já Sandra Cunha frisou que “o Bloco tem algo que o demarca e o diferencia” das diferentes candidaturas autárquicas: “É, em primeiro lugar, esta compreensão de que só pondo as pessoas em primeiro lugar se pode caminhar para uma sociedade verdadeiramente democrática e que esta só é possível com Igualdade”.

Igualdade no acesso à saúde e à educação, no direito à habitação digna, ao emprego e à mobilidade, no acesso à cultura, ao desporto e na fruição dos espaços públicos, foram alguns dos exemplos dados. “As autarquias não se podem demitir desta responsabilidade enorme que é a da promoção da igualdade, independentemente da condição social, da religião, da origem cultural, do género, da idade ou da orientação sexual”, rematou.

Termos relacionados Autárquicas 2017, Política
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