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Catarina afirma que é preciso alterar legislação laboral e repor direitos

"Se estivéssemos à espera da concertação social, o salário mínimo nacional nunca teria subido”, salientou Catarina Martins na apresentação da candidatura do Bloco no concelho da Moita, onde Joaquim Raminhos encabeça para a Câmara e António Chora para a Assembleia Municipal.
Catarina Martins intervindo na apresentação da candidatura bloquista no concelho da Moita - Foto esquerda.net
Catarina Martins intervindo na apresentação da candidatura bloquista no concelho da Moita - Foto esquerda.net

A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve nesta sexta-feira, 9 de junho de 2017, na apresentação da candidatura autárquica ao concelho da Moita, acompanhada pela deputada Sandra Cunha.

"Não podemos esperar pela concertação social”

Falando de um estudo sobre o emprego pós-troika, Catarina Martins destacou que os novos salários médios são 20% inferiores e que cresce o emprego mas também a precariedade. A deputada salientou que, “como a lei laboral é a do tempo da troika” o crescimento não chega a quem trabalha e realçou que “o aumento do salário mínimo nacional não criou desemprego, como diziam os patrões”.

“Se há crescimento económico, ou bem que nós mudamos as regras do jogo e repomos pelo menos os mínimos que protegem quem trabalha, ou este crescimento económico será apropriado pelos mesmos de sempre e não chegará no concreto dos salários a quem trabalha, a quem produz a riqueza no país”, sublinhou Catarina Martins.

E acrescentou: "Não podemos esperar pela concertação social. Se estivéssemos à espera da concertação social, o salário mínimo nacional nunca teria subido. E agora até a Comissão Europeia vem dizer que a subida do salário mínimo nacional fez bem ao país".

A coordenadora bloquista frisou que "os patrões nunca quererão acomodar alterações da legislação laboral que os obrigue a distribuir melhor a riqueza de quem trabalha", por isso é preciso mudar "as regras do jogo".

Não podemos resignarmo-nos à manha da EDP”

Catarina Martins abordou também a temática das rendas da energia e anunciou que nesta segunda-feira, 12 de junho, o Bloco vai apresentar um projeto no parlamento, para que: "Ou se renegoceiem os contratos, e há agora uma janela de oportunidade para o fazer, ou se o senhor primeiro-ministro tem tanto medo da litigância e das manhas da EDP ao menos cobre uma taxa à EDP que seja exatamente o que ela está a levar a mais aos consumidores, para depois baixar a conta para toda a gente".

A deputada lembrou que são “200 milhões de euros a mais que pagamos na fatura da energia das famílias e das empresas em Portugal só nos sobrecustos de um tipo de contratos” e que “pagamos a energia mais cara da Europa, quando comparamos em termos de poder de compra”, apontando: “Não podemos resignarmo-nos à manha da EDP”.

Joaquim Raminhos cabeça de lista à Câmara da Moita e António Chora à Assembleia Municipal

Apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda ao concelho da Moita
Apresentação da candidatura do Bloco de Esquerda ao concelho da Moita - Foto esquerda.net

Em relação à candidatura concelhia do Bloco, Catarina Martins afirmou que “a Moita é um dos concelhos em que o Bloco de Esquerda tem vindo a ter representação autárquica há mais anos de uma forma consistente”, sublinhando que “prova a capacidade de intervenção” do partido, o “conhecimento das questões autárquicas” e a perspetiva “de não deixar para trás nenhuma luta”.

“Há um problema que não podemos esquecer: há uma maioria democrática que tem impedido novas soluções para os problemas de sempre e que tem recusado olhar para os novos problemas que são problemas do nosso tempo”, criticou Catarina Martins, referindo-se ao concelho da Moita e à maioria da CDU, e apontou que “quando uma maioria absoluta se recusa a dialogar com outras forças, e por isso fica esgotada nas suas funções, então é tempo de dar mais força a quem tem provas dadas”.

“Alguma coisa explica que no século XXI um concelho como a Moita tenha esgotos a céu aberto? Algo explica que uma autarquia não tenha capacidade de responder a este problema?” questionou a coordenadora do Bloco, salientando que “as rotinas sobre a desculpabilização do que não é feito têm também de ser questionadas” e sublinhou que “está ao alcance de uma autarquia como a Moita uma reabilitação urbana mínima”.

“As maiorias absolutas não têm sido úteis no governo, mas também não são nas autarquias”, concluiu Catarina Martins.

"Há 12 anos elegemos o primeiro vereador do Bloco de Esquerda”

Joaquim Raminhos começou por salientar que no concelho da Moita “há 12 anos elegemos o primeiro vereador do Bloco de Esquerda”, na altura com o lema “energia alternativa nas autarquias” e que nesta campanha o lema será: “a força do Bloco faz toda a diferença”.

O vereador bloquista apontou como pontos essenciais do compromisso da candidatura:

  • “a defesa de mais qualidade de vida para a população deste concelho”;
  • “a defesa de mais democracia e cidadania”;
  • “um projeto de mudança para o concelho da Moita, que inclua a requalificação urbana”;
  • “a defesa do ambiente de forma a que haja mais espaços verdes”;
  • “acabar com os esgotos a céu aberto a correr para o Tejo”;
  • “pela implementação do orçamento participativo do concelho da Moita de modo a incentivar uma maior particiação ativa dos munícipes”.

“Vamos romper com as rotinas no poder local”, concluiu Joaquim Raminhos, criticando a maioria autárquica do concelho da Moita.

Especulação imobiliária sem preocupações com o meio ambiente”

“Praticamente somos o único concelho a sul do Tejo onde os esgotos correm a céu aberto, não só pelas ruas, como podemos ver junto à piscina de Alhos Vedros, como correm diretamente para o rio, como podemos ver no parque Zeca Afonso”, criticou António Chora, deputado municipal na Moita, desde 2005.

Chora fez uma dura crítica à CDU no concelho, acusando-a de, na Assembleia Municipal, chegar “a apelidar de ignorantes os cidadãos que intervêm”.

Criticando a arrogância da força maioritária, António Chora apontou a necessidade de “tornar mais humilde a CDU da Moita”.

Termos relacionados Autárquicas 2017, Política
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