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Catalunha: manifestação da Diada em tempo de impasse político

Centenas de milhares de pessoas voltaram a encher o centro de Barcelona com apelos à independência, unidade e libertação dos presos. Mas também algumas críticas aos partidos do governo catalão.
Vista aérea do cruzamento da Gran Via de les Corts Ctalanes com a Carrer Muntaner, em Barcelona esta quarta-feira. Foto Roser Vilallonga/Assembleia Nacional Catalã

Cerca de 600 mil manifestantes - números da Guardia Urbana de Barcelona — encheram ruas e avenidas de Barcelona esta quarta-feira na Diada, a comemoração do Dia da Catalunha que desde 2012 tem sido o motor da mobilização social a favor da independência catalã. Apesar da enorme afluência ao protesto, em tempo de impasse político e de expetativa sobre a sentença dos juízes espanhóis no julgamento dos líderes que levaram a referendo a questão da independência, a mobilização ressentiu-se e o ânimo dos manifestantes também.

Para além dos habituais slogans a favor da independência, foram as palavras de ordem pela libertação dos presos políticos que dominaram o protesto. No comício final, a líder da Assembleia Nacional Catalã, Elisenda Paluzie, garantiu que os catalães vão “receber de pé o golpe da sentença”, apelando à unidade dos políticos em torno do projeto independentista.

Na mesma linha, o porta-voz da Òmnium Cultural já tinha deixado o desafio: “Se procuram responsáveis do [referendo do] 1-O, vão bater à porta dos mais de dois milhões de pessoas que desobedeceram”, afirmou Marcel Mauri, concluindo que “a repressão deles só serviu para tornar-nos mais fortes”. Lembrando que 80% dos catalães são a favor da autodeterminação, Mauri concluiu que não aceitara outro desfecho no julgamento do ‘procés’ do que a absolvição dos acusados.

Os apelos à unidade foram reforçados em quase todos os discursos, mas também nas palavras de ordem durante toda a tarde. Numa mensagem enviada a partir da prisão de Lledoners, o presidente da Òmnium Cultural alertou para as tentativas de dividir o soberanismo catalão “entre partidários do diálogo e da confrontação”. Jordi Cuixart, preso há quase dois anos, defendeu que “a defesa permanente do diálogo é a única via para a resolução do conflito”.

Após a grande concentração da Diada, e sob o lema “Organizemos o poder popular. No caminho para a independência não há atalhos”, a CUP e outras organizações da esquerda independentista organizou uma manifestação própria seguida de comício ao fim da tarde e diz ter juntado 12 mil pessoas (5.500 segundo a Guardia Urbana). “O governo autonómico também reprime a vontade popular”, acusou a deputada Natàlia Sànchez, acusando o executivo formado pelo Juntos pela Catalunha e a Esquerda Republicana Catalã de fazerem aproveitamento político da solidariedade cidadã com os presos.

Num dia de manifestações pacíficas, a única exceção aconteceu já depois das 20h, com um grupo de jovens encapuzados a atirarem pedras e outros objetos contra a polícia e jornalistas após queimarem bandeiras espanholas junto do parlamento catalão. A intervenção da polícia de choque dispersou os cerca de 300 manifestantes que ali se encontravam.

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