Em comunicado publicado esta sexta-feira, Joaquim Forn, Josep Rull, Jordi Sànchez e Jordi Turull, políticos independentistas catalães presos pelo estado espanhol anunciaram o fim da sua greve de fome, vinte dias depois do seu início.
A ação tinha como principal reivindicação o fim do bloqueio do Tribunal Constitucional espanhol que visava atrasar o acesso das suas queixas ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Os presos anunciaram que “o Tribunal Constitucional já estabeleceu um cronograma para a resolução dos recursos interpostos”.
Escreveram também que “ao vigésimo dia da greve de fome, estamos mais conscientes do que nunca da capacidade transformadora e mobilizadora que cada um de nós tem no nosso interior. A greve de fome tornou-no mais fortes como pessoas e também acreditamos que, como povo, para enfrentar os próximos tempos.”
Os independentistas agradeceram a solidariedade recebida e apelaram a que as manifestações convocadas para esta sexta-feira sejam não-violentas.
Encontro Sánchez/Torra: acordo à vista ou declarações vazias?
As manifestações a que se referem os presos catalães foram marcadas para esta sexta-feira na sequência da convocatória de Pedro Sánchez de um conselho de ministros espanhol em Barcelona.
A tensão está elevada e as manifestações prometiam barrar o acesso à capital catalã. De véspera Pedro Sánchez reuniu com Quim Torra, presidente da Generalitat, e anunciaram vontade de “diálogo efetivo”. Falaram em negociações e na necessidade de dar uma “resposta política” ao conflito. Mas de concreto avançaram muito pouco para além do compromisso de novas reuniões em janeiro. Não se entenderam sobre o estatuto da reunião, sobre se houve uma cimeira entre governos ou apenas um encontro de presidentes. E o comunicado conjunto assegura que "a via do diálogo irá requerer o esforço de todas as instituições, de todos os atores políticos e da cidadania" comprometendo-se "ambos os governos a trabalhar para torná-lo possível.
Comunicat conjunt dels Govern català i espanyol després
de la reunió de Pedralbes: pic.twitter.com/qAOCP8oq3I— Govern. Generalitat (@govern) 20 de dezembro de 2018
A esquerda catalã respondeu a este encontro. A CUP Països Catalans diz que "o único caminho para resolver este conflito é o exercício do direito à auto-determinação."
L'únic camí per a resoldre el conflicte polític és l'exercici del dret a l'autodeterminació. L'únic diàleg que existeix sense assumir l'autodeterminació és el de la humiliació #TombemElRègim https://t.co/tMbEJKi78d
— CUP Països Catalans (@cupnacional) 20 de dezembro de 2018
Por sua vez a Esquerra Republica (ERC) apelou à "serenidade" e à "determinação" mas recordou que a data escolhida para o apelo ao diálogo, um ano depois das "eleições impostas" por Rajoy para acabar com o processo independentista, não é a mais indicada.
[VÍDEO] @martarovira: "Demà fa un any d’unes eleccions imposades. Si el govern espanyol vol fer una sessió a Barcelona per donar peu al diàleg, segurament la millor manera no és escollir aquesta data. Per tant, demà molta calma, molta serenitat, però també determinació." pic.twitter.com/56WBh96I8T
— Esquerra Republicana (@Esquerra_ERC) 20 de dezembro de 2018