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Castro Verde: Autarquia queria confinar comunidade cigana

O anúncio do “rigoroso confinamento da comunidade" cigana de Castro Verde devido a um surto de covid-19 foi apagado das redes sociais da autarquia. SOS Racismo diz que “não há nenhum estado de emergência ou pandemia que justifique medidas de segregação étnica”.
Autarquia de Castro Verde queria confinamento específico para comunidade cigana
Castro Verde - Foto de Patrick Nouhailler | Flickr

Na terça-feira, a Câmara Municipal de Castro Verde, no distrito de Beja, lançou uma publicação dirigida aos munícipes a informar sobre um “rigoroso confinamento da comunidade” cigana residente no Rossio, na vila de Castro Verde, segundo informa o jornal Expresso. Entretanto, a publicação feita pela autarquia liderada por António José de Brito, eleito pelo Partido Socialista, foi apagada da página da autarquia no Facebook.

Em declarações ao jornal, o autarca rejeitou qualquer atitude discriminatória. No entanto, considera que o anúncio pode ser redundante face ao dever de recolher obrigatório vigente durante o estado de emergência.

Na publicação, a autarquia de Castro Verde informava que o rigoroso confinamento era devido a 17 casos positivos.

Associações criticam “racismo institucional” e “segregação étnica”

A organização Iniciativa Cigana considera que a autarquia promoveu a “violação ao tratamento igualitário e de respeito pela condignidade humana”, pelo que classifica esta atitude de “racismo institucional”.

Segue a presente para informar que na sequência de mais uma medida de Racismo Institucional da parte do Estado...

Publicado por Iniciativa Cigana - Desta vez não é um cravo é uma cerveja em Terça-feira, 26 de janeiro de 2021

O SOS Racismo, em comunicado, referiu que esta seria “a primeira vez que, perante um grupo de pessoas infetadas, uma Câmara Municipal decide avançar com um plano de confinamento étnico", o que corresponderia a "uma medida de segregação étnica, inédita no país”.

Para o SOS Racismo, “as regras de saúde pública e decretadas neste confinamento devem ser respeitadas por todos e todas - não se admitem exceções. No entanto, não há nenhum estado de emergência ou pandemia que justifique medidas de segregação étnica”.

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