O casal usou ainda o Twitter para partilhar os acontecimentos. Numa série de tweets, pode ler-se que um homem as insultou, vindo posteriormente a agredir as duas.
Débora Pinheiro, de 21 anos, e Sara Casinha, de 28, apresentaram queixa à polícia. Débora partilhou os acontecimentos nas redes sociais. Eis o relato na primeira pessoa: “Fui almoçar com a minha namorada à Costa. Atravessámos uma rua de mãos dadas e um senhor, com o filho dentro do carro, acelerou para fingir que nos ia atropelar. Parou o carro e fez-nos um fuck a rir. Quando subimos uma rua o homem estava lá e veio para cima de nós (…) Com as mãos na nossa cara, a chamar-nos de “fufas de merda”, “sapatona” e nojentas. Aos berros. As duas da tarde. Nós ignoramos a pessoa depois de também o termos insultado e fomos embora. O senhor veio atrás de nós, começou a empurrar-me. A dizer que o que me fazia falta. (...) Era um chapadão de um homem a sério. Virou-se para a Sara, aos berros, e chamou-a de vaca de merda quando lhe, exactamente, mandou um estalo na cara. Eu empurrei-o, ele deu-me um murro na clavícula, mandou-me contra a parede a apertar-me o pescoço (…) Eu não sei se perceberam que ninguém se meteu, fomos nós que nos defendemos sozinhas. Estava uma multidão e ninguém fez nada. Chamamos a polícia, apresentamos queixa na GNR. E sim, Portugal é um país maravilhoso. Não tenho de achar o mesmo das pessoas”.
Eu fui almoçar com a minha namorada à Costa.
Atravessamos uma rua de mãos dadas e um senhor, com o filho dentro do carro, acelerou para fingir que nos ia atropelar .
Parou o carro e fez-nos um fuck a rir.
Quando subimos uma rua o homem estava lá e veio para cima de nós*— Blackye(@pussynextparty) February 17, 2019
Débora afirmou ainda ao DN que ainda está espantada: “Já tive discussões com pessoas por ser homossexual mas nunca uma situação de agressão. E quando pensamos na possibilidade de acontecer uma agressão, pensamos que pode suceder durante a noite. Não estou a pensar que às duas da tarde vou levar com uma pessoa em cima de mim quando estou a querer ir almoçar. Não queria acreditar que uma pessoa a um domingo a meio da tarde ia fazer aquilo. E ainda por cima alguém acompanhado de uma criança. Porque ele tinha o filho de 14 anos com ele.”
As duas referem ainda a impassividade de quem presenciou a cena: dezenas de pessoas, nenhuma intervenção. “Um crime é um crime, diz respeito a todos. O que mais me chocou foi ninguém fazer nada. Não sei se por sermos duas, por as pessoas perceberem que somos lésbicas porque ele gritava fufas e sapatão... Mesmo depois de ele se ir embora ninguém foi ter connosco para saber se estávamos bem.”, diz Débora Pinheiro, citada pelo DN.
Apesar de a polícia ter sido chamada, não compareceu no local, razão pela qual as duas foram à esquadra apresentar queixa.
O crime de ofensas à integridade física tem pena de prisão que pode ir até 3 anos. No caso de “circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade do agente”, como no caso dos crimes com base na orientação sexual, passam a “ofensa à integridade física qualificada”, podendo a pena ir até aos 4 anos.