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Carta aberta em solidariedade com mulheres espanholas

“Juntas, as mulheres ibéricas não permitirão que Direitos, Liberdades e Garantias lhes sejam pouco a pouco retirados”, refere um grupo de mulheres portuguesas, na sua grande maioria associadas à Cultura, numa carta aberta em solidariedade com as mulheres espanholas, que o governo de Mariano Rajoy pretende subordinar “ao estatuto de um ser inferior”.
Foto da UMAR. Manifestação de solidariedade com as mulheres espanholas que teve lugar em Lisboa, a 1 de fevereiro. a iniciativa foi convocada por um conjunto de cidadãos e cidadãs e de associações e coletivos.

“Rogamos às portuguesas que não esqueçam o percurso feito até aqui e instigamos as espanholas a não se deixarem intimidar. Juntas, as mulheres ibéricas não permitirão que Direitos, Liberdades e Garantias lhes sejam pouco a pouco retirados”, referem no documento.

“Não pensámos que se podia voltar atrás, que se podia anular a conquista de mais um degrau na civilização ocidental, uma pequena pedra no edifício que é a Europa: a liberdade que é o direito de a mulher decidir sobre o seu corpo. Sucessivas perdas de direitos e liberdades começaram assim. Em Espanha, a vertigem para um recuo nesta legislação faz-nos temer que seja apenas o início no retrocesso da democracia, tanto espanhola como europeia. Assusta-nos que as mulheres espanholas, para o exercício da sua dignidade, sejam forçadas a atravessar a fronteira para interromper a gravidez no nosso país”, alertam as mulheres portuguesas que subscrevem a carta aberta, lembrando que, no passado, foram as portuguesas a “cruzar a raia” para, em segurança, poderem fazê-lo, longe da condenação e do “opróbrio português”.

“Gerações de mulheres antes de nós combateram o obscurantismo ao qual um Estado opressor as confinava. Agora, como mulheres livres e europeias, recusamo-nos a aceitar que se invoquem desculpas económicas para subordinar a mulher ao estatuto de um ser inferior, sem autonomia ética, afetiva e social”, lê-se na carta aberta.

No documento é feita ainda referência à missiva entregue este sábado no Parlamento espanhol intitulada "Porque eu Decido" (ler artigo: Madrid: Dezenas de milhares de pessoas protestaram contra nova lei do aborto)

"Porque eu decido com independência moral, base da dignidade de qualquer pessoa, e não aceito imposição, ou proibição alguma aos meus direitos sexuais e reprodutivos e, em consequência, à minha plena realização como pessoa. Como ser humano autónomo, recuso-me a ser submetida a tratamentos degradantes, ingerências arbitrárias e tutelas coercivas na minha decisão de ser ou não ser mãe", frisam as mulheres portuguesas.

Assinam a carta aberta: Cláudia Alves, Margarida Cardoso, Margarida Gil, Raquel Freire, Salomé Lamas, Margarida Leitão, Catarina Mourão, Inês Oliveira, Filipa Reis e Susana Sousa Dias (realizadoras de cinema), Rita Blanco, Suzana Borges, Dalila Carmo, Rita Loureiro, Leonor Silveira, Carmen Santos e Anabela Teixeira (atrizes), Pandora da Cunha Telles, Joana Gusmão e Maria João Mayer (produtoras de cinema), Luísa Costa Gomes, Irene Flunser Pimentel, Lídia Jorge, Maria Teresa Horta e Alice Vieira (escritoras), Teresa Dias Coelho (pintora), Elizabete Francisca e Vera Mantero (coreógrafas), Renée Gagnon (distribuidora de cinema), Manuela Gonçalves (estilista), Simonetta Luz Afonso (museóloga e política), Inês de Medeiros (atriz e deputada), Margarida Martins (ativista e política), Catarina Portas (jornalista e empresária), Margarida Subtil (antiquária).

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