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Carta aberta: 80 profissionais de saúde pedem mais testes e material de proteção

Leia aqui a carta aberta dirigida a António Costa, Marta Temido e Graça Freitas. Subscritores defendem a necessidade de reconverter a indústria e gerir de forma centralizada os recursos públicos e privados durante a pandemia.
António Costa e a ministra Marta Temido em visita ao hospital Curry Cabral na quarta-feira. Foto António Pedro Santos/Lusa

Nesta carta aberta, as oito dezenas de profissionais de saúde chamam a atenção para três aspetos fundamentais que é preciso reforçar o quanto antes: “a disponibilidade de meios de proteção individual; a capacidade de realizar testes para diagnóstico; e as condições de assistência às pessoas infetadas e de proteção das pessoas mais vulneráveis, bem como para isolamento profilático dos casos suspeitos”.

Os subscritores defendem que estas medidas “deverão ser consideradas como prioritárias e aplicadas massivamente em dois grupos especialmente vulneráveis: os profissionais de saúde que, na linha da frente, prestam cuidados e as pessoas com mais de 60 anos, por apresentarem maior risco de complicações associadas à infeção”.

Para produzir os materiais necessários na quantidade que a emergência requer, “entendemos que se justifica o intensificar de medidas extraordinárias para reconverter setores da indústria” para a produção de “equipamentos de proteção, ventiladores e outros, bem como de gel desinfetante, testes de diagnóstico ou medicamentos”, prossegue esta carta aberta, antes de concluir que é “imperativa uma gestão centralizada de recursos públicos e privados” que garanta que o bem-estar coletivo seja colocado acima dos interesses de mercado e de determinados grupos económicos.

Esta Carta Aberta está disponível para subscrição pública aqui.


Leia aqui a Carta Aberta:

Ex.mo Senhor Primeiro Ministro, Dr. António Costa
Ex.ma Senhora Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido
Ex.ma Senhora Diretora Geral de Saúde, Drª Graça Freitas

Acompanhamos com preocupação o desenvolvimento da pandemia de Covid-19, procurando, dentro da nossa área de intervenção, contribuir para o esforço incansável das autoridades de saúde, estruturas e profissionais do Serviço Nacional de Saúde, por múltiplos setores da sociedade portuguesa e pela generalidade da população para enfrentar aquela que, até agora, é a maior ameaça sanitária deste século.

Perante a magnitude dos números, reafirmamos a necessidade de uma resposta coletiva e colaborativa, sendo este o espírito que nos move ao subscrever esta carta aberta. Queremos, desta forma, sensibilizar os responsáveis pelo planeamento estratégico da intervenção que tem sido implementada para que acelerem a concretização de medidas que, além de recomendadas pela OMS e vários especialistas, as experiências da China, Coreia do Sul, Itália, Espanha ou Irlanda mostram ser urgentes.

Assim, consideramos fundamental uma ação mais efetiva para reforçar substancialmente i) a disponibilidade de meios de proteção individual, ii) a capacidade de realizar testes para diagnóstico e iii) as condições de assistência às pessoas infetadas e de proteção das pessoas mais vulneráveis, bem como para isolamento profilático dos casos suspeitos.

Sem prejuízo da assistência devida a toda a população, estas medidas deverão ser consideradas como prioritárias e aplicadas massivamente em dois grupos especialmente vulneráveis: os profissionais de saúde que, na linha da frente, prestam cuidados e as pessoas com mais de 60 anos, por apresentarem maior risco de complicações associadas à infeção.

Cientes da limitação dos recursos de que o país dispõe e da necessidade da sua racionalização, entendemos que se justifica o intensificar de medidas extraordinárias para reconverter setores da indústria, orientando-os para a produção de equipamentos de proteção, ventiladores e outros, bem como de gel desinfetante, testes de diagnóstico ou medicamentos.

Consideramos ainda imperativa uma gestão centralizada de recursos públicos e privados que garanta, mais do que os interesses do mercado ou de determinados grupos económicos, o bem-estar coletivo e a defesa e promoção da saúde pública. Numa época de exceção são necessárias medidas, também elas, de exceção para reforçar a equidade no acesso aos cuidados e a solidariedade indispensável para que possamos, coletivamente, ultrapassar a corrente epidemia.

Subscrevem:

Alda Silveira - Fisiatra
Afonso Moreira - Médico Interno de Saúde Pública
Agostinho Moreira de Sousa - Médico Especialista de Saúde Pública
Alfredo Frade - Psiquiatra
Ana Campos - Médica
Ana Escoval - Administradora Hospitalar
Ana Isabel Mendes - Endocrinologista
Ana Matos Pires - Médica Psiquiatra
Ana Medeira - Pediatra geneticista
Ana Sartóris - Enfermeira
Ana Silva - Médica Dentista
André Beja - Enfermeiro e investigador
Ângela Gonçalves - Assistente Operacional
António Freitas - TSDT de radiologia
António Rodrigues - Médico de Família
António Roma Torres - Psiquiatra
Aranda da Silva - Farmacêutico
Artur Beja, Enfermeiro
Bruno Maia - Médico
Bruno Morais, Técnico de Emergência Pré-Hospitalar
Cláudia Luís - Enfermeira
Carla Jorge - Assistente Operacional
Carlos Almeida - Assistente Técnico
Casimiro Menezes - Médico Internista - Diabetologia
Célia Rodrigues - TSDT
Cipriano Justo - Médico de Saúde Pública
Conceição Pacheco - Técnica Superior de Diagnóstico e Terapêutica
Conceição Soares - TSDT Radiologia
Cristiana Couto - Enfermeira
Cristiano Figueiredo Médico de Família
Cristina Martins - Enfermeira
Cristiano Neves - Assistente Técnico
David Galhano Lopes - Médico Interno de Saúde Pública
Diana Pereira - Enfermeira
Diana Póvoas - Médica Infecciologista
Dulce Maria Nascimento do Ó - Enfermeira
Eloísa Gonçalves Macedo - Técnica Superior de Diagnóstico e Terapêutica
Fátima Prior - Enfermeira
Fernanda Lopes - Enfermeira
Fernando Santos - Enfermeiro
Francisco Coelho - Enfermeiro no INEM
Isabel do Carmo - Médica
Isabel Vitória - Enfermeira
João Castro Nunes - Médico Interno de Anestesiologia
João Lavinha, Investigador aposentado e ex-diretor do Instituto Ricardo Jorge
João Proença - Médico, neurologista
João Valente Nabais - Dirigente de associação de doentes
Jorge Adelino Ribeiro Pires - Enfermeiro
José Manuel Boavida - Médico - Diabetologia
Leonardo Trancoso - Enfermeiro
Luis Verdelho - Médico anestesista
Luiz Gamito - Psiquiatra
Luiz Gardete Correia - Médico endocrinologista
Manuela Carvalheiro - Médica endocrinologista
Márcia Oliveira - Enfermeira
Maria Augusta Cardoso - Enfermeira
Maria Augusta de Sousa - Enfermeira
Mário André Macedo - Enfermeiro
Mário Jorge Neves - Médico
Maru Jesus Gomez - Enfermeira
Natércia Miranda - Médica de Saúde Pública
Neuza Reis - Enfermeira
Nuno Veludo - Investigador em saúde global
Patrícia Pinto - Médica Ginecologia-Obstetrícia
Pedro Santos - Técnico Auxiliar de Saúde
Rui Carlos Bastos dos Santos - Enfermeiro
Rui Lourenço - Médico de Família
Rui Nunes -  Médico de Família
Rui Rodrigues - radio-oncologista
Sandra Loureiro - Técnica Superior de Diagnóstico e Terapêutica
Silvia Silva - Enfermeira
Simone Fernandes - Nutricionista
Sofia Crisóstomo - Farmaceutica
Sónia Carrigton - Técnicao Superior de Diagnóstico e Terapêutica
Sónia Pires - enfermeira
Tânia Russo - Médica
Tiago Leite Souto - Médico Interno de Saúde Pública
Vanda Pinheiro - Enfermeira
Vasco Ricoca Peixoto - Médico Interno de Saúde Pública
Victor Genro - Oftalmologista

 

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