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“Carlos Costa comporta-se como a voz do BCE em Portugal”

"Quando falamos da regulação dos bancos, Carlos Costa [governador do Banco de Portugal] comporta-se como um banqueiro entre banqueiros. Quando falamos da defesa do interesse nacional, Carlos Costa comporta-se como a voz do BCE em Portugal sem ser capaz de defender um sistema financeiro que proteja o nosso país", afirmou Catarina Martins.
Catarina falou aos jornalista à entrada para a sessão de encerramento do XIII Congresso Nacional da CGTP-IN, em Almada – Foto de Mário Cruz/Lusa

A porta-voz do Bloco foi neste sábado questionada pela comunicação sobre a entrevista do Governador do Banco de Portugal ao jornal Expresso, onde considera que “não há razão para terminar o mandato” e afirma “que seria curioso demitir-me por um pequeno incidente”. Catarina Martins falava à margem da sessão de encerramento do Congresso da CGTP, em Almada.

“Penso que se ficar como pequeno incidente, a perda de credibilidade do governador do Banco de Portugal na sequência de uma série de decisões pouco transparentes e muito lesivas para o interesse público, é uma grande falha de análise por parte do governador do Banco de Portugal”, comentou Catarina Martins.

A porta-voz do Bloco afirmou que “Portugal precisa de uma regulação que possa ser séria, possa dar confiança no sistema financeiro e criar transparência e é certo que o Banco de Portugal não tem sido capaz desse percurso e Carlos Costa não tem sido, de todo, capaz desse percurso”.

“Nós já dissemos que Carlos Costa não tem condições para continuar”

Questionada se Carlos Costa se deve demitir, a porta-voz do Bloco afirmou: “Nós já dissemos que Carlos Costa não tem condições para continuar”.

Sublinhando que “a supervisão tem responsabilidades próprias” e que “quem aceita os cargos de supervisão sabe que tem responsabilidades próprias responsabilidades de supervisão que são responsabilidades essenciais para a confiança das pessoas no sistema financeiro”, questionou:

“Que confiança podem ter os portugueses hoje no sistema financeiro? Que confiança se pode ter, quando depois de 4.000 milhões de euros para limpar o Novo Banco se sabe que o Novo Banco tem prejuízo e vai despedir tantos trabalhadores? O que é que anda a fazer o Banco de Portugal que os portugueses pagam, pagam, pagam e o sistema financeiro continua a ser um buraco negro tanto dos prejuízos como da falta de transparência?”

Controlo público efetivo sobre o Novo Banco”

Catarina Martins afirmou ainda, sobre o Novo Banco: “um banco onde há mais de 4.000 milhões de euros do erário público, um banco que tem uma quota de mercado tão grande das PME's que são um setor onde há 75% do emprego nacional e um banco com tantos trabalhadores precisa seguramente de uma estratégia pública. Uma vez que já o pagámos, já está pago com dinheiro público, então este é o momento de assegurar que há controlo público efetivo sobre o Novo Banco”.

Aumento do salário mínimo para 600 euros

Questionada sobre o aumento do salário mínimo para 600 euros em 2017, reivindicado pela CGTP, a porta-voz do Bloco afirmou: “Como sabem o Bloco de Esquerda fez um acordo com o Partido Socialista, no âmbito da maioria parlamentar, para que a subida para os 600 euros fosse conseguida. A baliza do Bloco é não menos de 5% ao ano, ou seja, em janeiro próximo terá de ser no mínimo de 557 euros, já subiu para 530 fruto deste acordo. Claro que considerávamos mais desejável ir para 600 euros o mais depressa possível, porque num país onde quem trabalha não sai da pobreza, mesmo trabalhando a tempo inteiro, é um país que não traz a mínima justiça às pessoas que o constroem todos os dias”.

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