Cardeais responsabilizam “agenda homossexual” por abusos sexuais na Igreja

20 de February 2019 - 13:52

Através de carta aberta divulgada esta quinta-feira, os cardeais Burke e Brandmüller criticam o papa Francisco, afirmando que os casos de abuso sexual de padres não resultam de redes de poder clericais, mas de uma “agenda” que influencia a Igreja Católica.

PARTILHAR
Papa Francisco na conferência episcopal na Irlanda. Fotografia da Agência Ecclesia.
Papa Francisco na conferência episcopal na Irlanda. Fotografia da Agência Ecclesia.

O norte-americano Raymond Burke e o alemão Walter Brandmüller, dois cardeais conservadores, assinam uma “carta aberta” que pretende uma explicação diferente para um dos problemas que mais afetam a imagem da Igreja Católica: os abusos sexuais praticados por menores. A carta foi divulgada na véspera de um encontro entre os líderes das conferências episcopais de 130 países, a acontecer no Vatiano. Convocado pelo papa, o encontro tem como tema a resposta ao escândalo dos crimes sexuais levados a cabo por membros do clero.

Na carta mencionada, os cardeais tentam lavar as mãos da Igreja, desresponsabilizando-a dos crimes cometidos. Assim, os abusos sexuais não serão da resposanbilidade dos seus perpetradores, mas da “praga da agenda homossexual”, que “se espalhou dentro da Igreja”. Os cardeais vão mais longe e afirmam que essa “agenda” foi “promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e uma conspiração de silêncio”.

Para os cardeais, o problema não será o “abuso do poder”, mas a distância “da verdade do Evangelho”. Não serão, assim, as hierarquias a ser sustentar os crimes, mas a negação da “lei divina e natural” e a “atmosfera de materialismo, de relativismo e hedonismo, em que a existência de uma lei moral absoluta, que não abra excepções, é abertamente posta em causa” pela crise que atravessa a Igreja.

Afirmam que “o mundo católico está à deriva”, mas recusam-se a assumir a responsabilidade da Igreja nos casos dos problemas de abusos sexuais de menores ao rejeitarem enquadrar estes casos enquanto um problema estrutural, em que os crimes cometidos por alguns sacerdotes são encobertos por todos os elementos da hierarquia, como é denunciado pela generalidade das vítimas.

Só em 2018, chegaram ao Vaticano perto de 900 denúncias de abusos sexuais cometidos por padres, o dobro do que foi registado no ano anterior.