You are here

“Cancelamento da multa mostra que vale a pena defender o país”

“Portugal não ganha por jogar pelas regras, Portugal ganha por defender a dignidade de quem aqui vive e por não ceder à pressão”, defendeu Catarina Martins, alertando que, daqui até ao Orçamento do Estado, “todos os dias virá uma qualquer notícia a tentar convencer que, face à pressão da Europa, o único caminho é empobrecer”.

“Daqui até ao Orçamento do Estado, todos os dias ouviremos notícias da catástrofe, não haverá dia nenhum em que não haverá uma manchete de jornal, uma declaração de um responsável da Comissão Europeia, um qualquer comentador, a avisar que vem aqui um corte não sei onde, um congelamento não sei que mais, uma taxa de IVA que há-de aumentar”, adiantou a coordenadora do Bloco de Esquerda durante um comício que teve lugar esta quinta-feira em Montegordo.

Catarina Martins afirmou ainda que “todos os dias virá uma qualquer notícia a tentar convencer que, face à pressão da Europa, o único caminho é empobrecer, é voltar atrás nas conquistas que já tivemos”.

Mas, “da mesma forma que o Bloco é o aliado presente, determinado, de um Governo capaz de fazer frente à Comissão Europeia”, é também “a garantia ao país de que aquilo que se está a fazer é a proteger salários, pensões, emprego, Estado Social”, acrescentou.

“Nem um passo atrás, essa foi a aprendizagem que fizemos”, salientou, referindo-se à decisão de não sancionar o país por défice excessivo.

A dirigente bloquista assinalou que o cancelamento da multa fez o país saber que “defender Portugal vale a pena” e “não é impossível”.

“Essa é a nossa vitória, essa aprendizagem de que levantarmo-nos em nome de quem aqui vive, de quem aqui trabalha, de quem trabalhou toda uma vida, vale a pena. E essa vitória, essa aprendizagem, temos de a compreender bem, porque o problema das sanções mantém-se. Em setembro será discutido se nos vão ou não cortar fundos estruturais, e todas as chantagens, todas as notícias, todas as pressões se mantêm”, reforçou.

“O jogo da Comissão Europeia, o jogo da União Europeia, não é um jogo que valha a pena ser jogado, é a roleta russa, e por muito que tenhamos ganho desta vez, continua a ser a roleta russa em setembro, por isso nós sabemos que Portugal não ganha por jogar pelas regras, Portugal ganha por defender a dignidade de quem aqui vive e por não ceder à pressão”, defendeu Catarina Martins.

“Primeira conquista da ‘geringonça’ foi derrubar Governo de Passos Coelho e Paulo Portas”

“A primeira conquista da ‘geringonça’ foi derrubar o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas e isso foi uma enorme conquista para o progresso deste país porque foi a conquista que permitiu dizer que a austeridade não é destino e que não estava escrito que teríamos sempre de viver pior”, defendeu Joana Mortágua.

A deputada referiu-se a Passos Coelho como “o anunciador de desastres", uma "verdadeira oposição inútil” e “o cheerleader da austeridade”, lembrando que o PSD “votou contra cada medida que melhorou a vida das pessoas neste país” e que o líder do partido "se especializou em anunciar o desastre”, tentando convencer que a austeridade vale a pena e que não existe qualquer outro caminho possível.

 “Esta Europa foi construída nas costas e à revelia das populações”

O deputado João Vasconcelos lembrou que “esta Europa foi construída nas costas e à revelia das populações”, uma Europa que “impôs austeridade, perda de direitos sociais e desemprego em massa”.

“Este projeto europeu falhou redondamente, e a comprová-lo temos aí a saída do Reino Unido”, apontou, defendendo que é preciso construir “uma Europa a favor dos mais desfavorecidos, de emancipação social, de paz e de solidariedade, que não esteja ao serviço dos mais poderosos”.

Segundo o deputado, o Bloco lutará para que Portugal faça parte dessa Europa, “ao serviço dos povos”.

João Vasconcelos recordou todas as conquistas que se tornaram possíveis nos últimos meses e assinalou o muito que há por fazer, lamentando que ainda não tenha sido possível garantir, por exemplo, a eliminação das portagens na Via do Infante.

“É preciso secar a fonte do ódio que alimenta o terrorismo”

Jorge Costa referiu-se ao “ódio que motiva os crimes terroristas”, defendendo que “a resposta da vigilância e da guerra” falharam.

O deputado lembrou que o bombardeamento do Afeganistão teve lugar na sequência dos atentados na América e que agora se bombardeia o Iraque e a Síria “como se isso pudesse resolver os atentados que estão a ser cometidos na Europa”.

O dirigente bloquista defendeu que a guerra permanente contra a Palestina, as ditaduras fundamentalistas que são aliadas de muitos países ocidentais, e que cometem as maiores atrocidades contra os direitos humanos, e o tratamento que tem sido dado aos refugiados tem vindo a garantir que “o discurso do ódio tem ouvidos do outro lado”

“É preciso secar a fonte do ódio que alimenta o terrorismo” e “impedir que os fanáticos e os extremistas continuem a encontrar ouvidos que os ouçam do outro lado”, vincou, defendendo que, para tal, é preciso desmilitarizar a política europeia, impedir que novas guerras comecem, que continuem a ser vendidas armas aos países onde o extremismo cresce, promover políticas nas cidades que impeçam a marginalização destes jovens, e “responder ao problema dos refugiados com humanidade para contrapor à desumanidade do terrorismo”.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Nem sanções Nem chantagem, Política
Comentários (1)