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Canábis chega às farmácias em abril e Marrocos também quer legalizar

O primeiro produto de flor seca aprovado pelo Infarmed vai custar cerca de 10 euros por grama aos doentes portugueses. Na quinta-feira, o governo marroquino discutiu uma proposta de legalização que deverá ser aprovada na próxima semana.
Plantação da Tilray em Cantanhede. Foto Tilray/Facebook.

Ao fim de dois anos da legalização da canábis para fins medicinais em Portugal, ainda não há produtos disponíveis no mercado legal para os milhares de pessoas que dela podem beneficiar. Mas a longa espera deve acabar em abril, com o anúncio revelado pelo Jornal de Notícias da chegada às farmácias em abril do primeiro produto aprovado pelo Infarmed.

Segundo o JN, já foi aprovado o preço de comercialização, que será de cerca de 150 euros por um saco de 15 gramas de flor seca contendo 18% de THC (delta-9-tetrahidrocanabinol) e 1% de CBD (canabidiol), produzido pela Tilray.

Para ter acesso à planta no mercado legal, os portugueses vão precisar de receita médica. A utilização da canábis para fins medicinais é considerada apropriada para várias indicações terapêuticas, como a dor crónica associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso, espasticidade associada à esclerose múltipla ou a lesões da medula espinhal, entre outras.

Ainda segundo JN, o Infarmed está a avaliar outros dois pedidos para comercialização: um de flor seca produzida pela Aurora Cannabis e um chá medicinal produzido pela RPK Biopharma. A empresa Sabores Púrpura ainda espera pela luz verde do organismo para avançar com o pedido de comercialização de óleos de canábis com THC e CBD.

Governo marroquino quer aproveitar o “boom” da indústria canábica

O conselho de ministros de Marrocos começou a discutir esta quinta-feira uma proposta para legalizar a canábis, que prevê a criação de uma agência nacional de regulamentação e uma estratégia para a sua cultura, transformação, comercialização e exportação. Segundo o portal Hespress, a apresentação da proposta do Ministério do Interior destaca a reclassificação da canábis aprovada pela ONU em dezembro, na sequência das recomendações da Organização Mundial de Saúde.

A reunião do executivo liderado por Saad Dine El Otmani acabou por se centrar na campanha de vacinação e nas medidas de resposta à crise económica provocada pela pandemia e a decisão sobre o projeto ficou adiada para a próxima reunião do governo, a primeira quinta-feira de março.

Em entrevista publicada no portal marroquino Challenge, o fundador do coletivo marroquino pelo uso terapêutico e industrial da canábis dá o exemplo de Israel como um país que apostou forte no desenvolvimento da cultura industrial de canábis para exportação. Benaceur Azday diz que esta cultura “gera bastantes empregos porque tem muitas etapas de produção” e calcula que 90 mil lares dependam hoje da cultura de canábis do país e que ela gere rendimento a 760 mil pessoas. “É uma atividade criadora de emprego e ancorada na cultura local, nomeadamente na região do Rif”, acrescenta, alertando também para o investimento estrangeiro que aguarda a luz verde do governo.


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