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Campos desportivos sintéticos contêm microplásticos prejudiciais à saúde

Organizações ambientalistas europeias avisam que os campos desportivos sintéticos contêm grânulos de pneus usados que representam perigo para a saúde devido a libertarem gás cancerígeno e genotóxico.
Campo desportivo sintético
Foto de Roel Driever | Flickr

Microplásticos prejudiciais para a saúde, compostos por grânulos de pneus usados que libertam gás cancerígeno e genotóxico, estão presentes nos campos desportivos sintéticos, alerta um estudo de organizações não-governamentais ambientalistas.

A agência Lusa teve acesso ao documento que aponta ainda alternativas, como a cortiça, que até já está certificada pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Mesmo assim, segundo as organizações ambientalistas, em 2017 apenas 3% dos campos certificados pela FIFA eram de alternativas orgânicas.

As organizações afirmam que “os pneus incluem borracha sintética, um polímero plástico com muitos aditivos tóxicos, pelo que os grânulos são uma verdadeira preocupação, de tal forma que estão proibidos nos aterros dos resíduos”. Esta borracha é utilizada nos campos de futebol de relva artificial e outros campos desportivos. Os ambientalistas apontam que os jogadores nem sempre sabem dos riscos que acarreta jogar nestes campos.

De acordo com o documento, até ao próximo ano devem existir na Europa 100 mil campos sintéticos, o que representam 16 mil toneladas de poluição de grânulos em cada ano.

No ano passado, a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA, na sigla em inglês), depois de uma investigação, recomendou a proibição total do uso de granulados de pneus usados, propondo alternativas como a cortiça, a madeira e caroços de azeitona moídos ou cascas de nozes moídas.

Em 2016, a produção mundial de borracha sintética e natural foi de 27,3 milhões de toneladas, perto de 70% feitas com pneus. A opção sintética é a mais utilizada porque acaba por ficar mais barata.

Os dados do documento referem que um campo artificial de futebol absorve 25 mil pneus triturados e o relvado deve ser substituído em cada 8 a 10 anos. Este facto aliviou as empresas da área, que na década de 1990, deixaram de se preocupar com o desperdício de pneus, mas segundo as organizações ambientalistas, “o problema da eliminação torna-se mais difícil quando cada pneu se torna em centenas de milhares de pedaços”. A indústria recomenda a reciclagem dos velhos campos, mas os ambientalistas denunciam que na Europa só uma empresa faz essa reciclagem.

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