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Campanha BDS denuncia poder da propaganda israelita em Portugal

Em comunicado, a campanha BDS - Boicote, Desinvestimento, Sanções sublinha que os “agentes de propaganda israelita” ditaram à imprensa portuguesa como tratar a notícia sobre as pinturas feitas na fachada do restaurante "O Cantinho de Avillez" no Porto.
O sucesso internacional da campanha BDS tem vindo a preocupar “cada vez mais os dirigentes israelitas, que reforçaram e criaram nos últimos anos serviços exclusivamente dedicados a travar os avanços do movimento e a criminalizar as suas ações”.

No documento, a BDS lembra que a campanha internacional existe desde 2005 e “já há uns bons anos” chegou a Portugal, contudo, “para muita gente neste país, a palavra BDS só começou a existir há três dias, quando o jornal israelita Times of Israel publicou um texto atribuindo a ativistas BDS as pinturas feitas na fachada do restaurante ‘O Cantinho de Avillez’ no Porto”.

O Times of Israel cita, inclusive, “o presidente do Congresso Mundial Judaico segundo o qual ‘o movimento BDS mostrou a sua verdadeira cara. Provaram não serem mais que um grupo de vândalos. Este foi um acto de antisemitismo’".

“Embora saltasse à vista que este artigo era tudo menos jornalístico, a sua publicação foi o suficiente para que uma grande parte da imprensa portuguesa fosse a correr telefonar a uma série de organizações portuguesas simpatizantes da campanha BDS, para tentar ‘confirmar se a BDS-Portugal assumia a autoria do acto de vandalismo’", lamentam os ativistas.

Segundo a BDS, “os agentes de propaganda israelita ditavam assim à imprensa portuguesa como deviam tratar esta notícia”.

“Com algum sucesso, aliás, como foi no caso do Expresso, que publicou um artigo assinado por Hugo Franco e Carolina Reis, onde se descreve as pinturas na fachada do restaurante como um ‘ataque com contornos de antisemitismo’”, acrescenta.

A BDS sublinha ainda que o que não foi aqui dito é que “uma das pichagens no vidro do restaurante dizia, segundo o Times of Israel, ‘Free Palestine’, uma palavra de ordem que os apoiantes da política de ocupação de Israel - e, pelos vistos, também alguns jornalistas portugueses - consideram antisemita, talvez por associarem, erradamente, os opressores do povo palestiniano ao povo judeu”. 

A BDS foi criada em 2005, inspirada “no movimento de boicote que ajudou a derrotar o regime de apartheid na África do Sul, que acredita poder-se isolar o Estado de Israel através de acções de Boicote, Desinvestimento e Sanções a nível internacional” e que “esse isolamento ajudará a que Israel ponha fim à expropriação e expulsão dos palestinianos da sua terra e à sua política de limpeza étnica, ocupação e apartheid”.

Segundo aponta a BDS, “desde essa altura muitas personalidades, como artistas, músicos, intelectuais, académicos, têm aderido à campanha, recusando atuar em Israel ou colaborar com entidades israelitas comprometidas com a ocupação. Várias multinacionais têm renunciado a negócios chorudos nos colonatos por pressão da campanha BDS. Até governos têm desinvestido os seus fundos de pensão de bancos israelitas. E até em Portugal, muito recentemente, o ministério da Justiça retirou-se de um projeto conjunto com forças policiais israelitas, que pretendia uniformizar métodos de interrogatório”.

O sucesso internacional da campanha tem vindo a preocupar “cada vez mais os dirigentes israelitas, que reforçaram e criaram nos últimos anos serviços (informáticos, diplomáticos e de propaganda) exclusivamente dedicados a travar os avanços do movimento de BDS e a criminalizar as suas ações”.

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