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Campanha alemã pede boicote a produtos do trabalho escravo em Portugal

A campanha denuncia a destruição ambiental causada pela agricultura superintensiva no Alentejo e Algarve e o recurso a trabalho escravo. Até ser adotadas um conjunto de medidas que garantam o fim dos abusos, ativistas pedem que estes produtos sejam deixados nas prateleiras.
Foto de Paulete Matos.

“Destruição ambiental e trabalho escravo - Terceiro mundo no centro da Europa: agricultura superintensiva e as suas consequências em Portugal” é o título do documento que denuncia as condições de produção nas explorações agrícolas em regiões como o Alentejo e Algarve.

O documento refere a existência de “gigantescas cidades com estufas de plástico”, que consomem a escassa água existente, “poluída pelos agrotóxicos usados”.

Os produtos são “cultivados e colhidos por escravos modernos: migrantes ilegais ou semilegais da Ásia, África ou mesmo da Europa Oriental”, que vivem em condições “desumanas” em “espaços confinados em alojamentos comunais, pelos quais também têm que pagar parte dos seus salários extremamente baixos”.

Os ativistas escrevem que, “atraídas por subsídios da UE que vão até 55% dos custos de investimento, as empresas internacionais instalam-se no Alentejo e no Algarve”. Indianos, tailandeses, nepaleses e paquistaneses trabalham nestas explorações, seja nas estufas de frutos vermelhos no litoral, no cultivo de abacate no Algarve ou nas novas plantações de oliveira perto da fronteira com Espanha.

A campanha refere que as novas formas de cexploração agrícola consomem muita água, ininterruptamente, e lembra que “a indústria da água em Portugal está em grande medida privatizada e apenas garante o abastecimento a grandes clientes em caso de estrangulamento”.

Acresce que o cultivo superintensivo de frutas silvestres ocorre no meio de área de paisagem protegida e não só altera fundamentalmente a paisagem, como intervém no tecido da sociedade rural.

“Depois da Revolução dos Cravos, os trabalhadores agrícolas do Alentejo lutaram muito não só para ter um emprego diário durante a época da colheita, mas também para que lhes fosse garantida uma cobertura durante os meses de inverno. Agora é como se este progresso nunca tivesse ocorrido - só que agora já não são os trabalhadores agrícolas portugueses que estão a ser explorados, mas sim os migrantes. Os jovens alentejanos não querem ser escravos no seu próprio país, trabalham no campo, mas sim na Suíça ou na França”, lê-se no documento.

A campanha associa-se a iniciativas como “Solidaridade ao Imigrante” (SOLIM) ou #JuntosPeloSudoeste na defesa dos direitos dos trabalhadores migrantes, contra a exploração de pessoas e recursos e pelos os interesses das explorações agrícolas tradicionais.

Nesse sentido, exige uma distribuição justa da água; o controlo cuidadoso das condições de trabalho; a implementação de, pelo menos, os requisitos mínimos da agricultura da CE; e uma melhor lei da cadeia de abastecimento com mandato para órgãos de controlo e com penalidades claras.

Até que, pelo menos, estes requisitos sejam implementados, a campanha pede que os produtos desta forma de agricultura sejam deixados nas prateleiras.

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