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Câmaras ainda devem 55 milhões por causa do Euro 2004

Das nove Câmaras apenas duas já saldaram todas as dívidas contraídas para fazer obras ou construir de raiz estádios. Há dívidas que vão até 2030, data em que Portugal se candidatou a organizar um mundial de futebol em conjunto com Espanha.
Estádio de Leiria. Foto de Hugo Cadavez/Flickr.
Estádio de Leiria. Foto de Hugo Cadavez/Flickr.

Para o campeonato europeu de futebol de 2004, nove Câmaras do país endividaram-se de forma a construir ou requalificar dez estádios de futebol. Desses, seis são atualmente de clubes da Primeira Liga (Sporting, Porto, Benfica, Braga, Vitória de Guimarães e Boavista), um é de um clube da Segunda Liga (Académica de Coimbra), outro de um clube do Campeonato de Portugal (União de Leiria), outro ainda de um das distritais (o Beira-Mar) e o estádio do Algarve não tem clube fixo.

Mas este legado pesa ainda hoje nas contas de sete dessas Câmaras. Segundo o Jornal de Notícias, estas continuam endividadas no valor de 55 milhões de euros devido a essas obras. E continuarão a estar até 2030 e algumas mesmo depois disso.

Aquele órgão de comunicação social revela que, 17 anos depois da realização do evento desportivo, o pior caso é o de Leiria. Tem 20 milhões de euros em dívida de empréstimos bancários, estando a pagar ao ritmo de um milhão por ano. O autarca desta Câmara, Gonçalo Lopes, admite que este facto "atrasou outros investimentos fundamentais na área da saúde, educação e ambiente".

No caso de Braga, o estádio que teve maior custo por lugar e também a maior derrapagem financeira, as contas ainda não estão feitas definitivamente. Do primeiro projeto com custos previstos de 37 milhões passou-se, meses depois, para um projeto que custava 79 milhões. Devido às derrapagens, o custo contabilizado em 2018 pelo Tribunal de Contas era de 153 milhões. O relatório de gestão do município de 2020 indica que faltavam pagar 9,5 milhões em empréstimos, mais cinco ao arquiteto Souto Moura. Como os construtores têm casos em tribunal ainda se pode acrescentar a isto mais 9,5 milhões de euros.

Exceção ao endividamento são apenas as Câmaras de Lisboa e Porto que já não apresentam dívidas relativas às obras nos estádios do europeu de futebol de 2004.

A notícia do JN surge na mesma altura em que se disputa o europeu de futebol de 2020 e pouco depois das federações de Futebol de Portugal e Espanha terem anunciado uma candidatura conjunta à organização do mundial de futebol de 2030 não se sabendo quantos estádios no país esta envolverá.

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