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Câmara de Gijón acaba com touradas

Depois de terem sido “lidados” dois touros, de nome “Feminista” e “Nigeriano”, a presidente de Câmara achou que se tinha ido longe de mais e cancelou a concessão. Com esta decisão, as Astúrias deixam de acolher grandes espetáculos tauromáquicos.
Manifestantes anti-touradas em Gijón. Foto de @laurasturies no Twitter.
Manifestantes anti-touradas em Gijón. Foto de @laurasturies no Twitter.

Ana González, presidente da Câmara de Gijón, anunciou esta quarta-feira que não se realizarão mais touradas na cidade. Isto significa que deixam de haver grandes espetáculos tauromáquicos em todas as Astúrias. Assim, a concessão da praça "El Bibio" e a licença para organizar a feira taurina de Begoña, que se costumava realizar entre os dias 13 a 15 de agosto, não serão renovadas.

A alcadesa do PSOE, em declarações citadas pela agência Europa Press, justificou que, ao serem “lidados” e mortos dois touros com os nomes “Feminista” e “Nigeriano” “cruzaram-se várias linhas vermelhas”, sendo algo “que não se pode permitir” numa cidade que acredita na igualdade e na integração. O facto de haver “cada vez mais vozes contrárias às touradas” também pesou nesta tomada de decisão.

A União de Criadores de Touros de Lide reagiu justificando que os touros assim foram batizados porque descendiam de vacas com esse nome, uma linhagem de 35 anos que seria “alheia a contextos sociais e políticos”. Acrescentam ainda que, de acordo com as normas, os touros de lide assim devem ser registados no livro genealógico dependente do Ministério da Agricultura. Queixam-se portanto do “desconhecimento” de quem contesta os nomes e exigem “retificação imediata” da decisão tomada.

Como seria de esperar, o anúncio gerou uma batalha política, com a direita e a extrema-direita a oporem-se. Pablo González, presidente do PP de Gijón, acusa a autarca de ser “ridícula” e de pertencer “socialismo mais radical” que quer “coartar a liberdade dos gijonenses”. O partido vai fazer uma recolha de assinaturas como forma de pressão e diz que, quando governar a cidade, “organizará a melhor feira taurina”.

Do outro lado do campo político, a deputada regional do Podemos nas Astúrias, Nuria Rodríguez, congratula-se que a presidente “tenha escutado a voz dos cidadãos”. Para ela, “não se pode permitir que em Gijón continuem existindo em espaços públicos espetáculos nos quais se possa torturar e assassinar animais. O partido não deixa de recordar que quando no início do mandato apresentou um plano para a reconversão da praça de touros num espaço cultural o PSOE se opôs.

O Podemos e a Esquerda Unida viram agora atenções para outro evento, a novilhada que acontecerá no próximo domingo em Cangas de Onis. Querem que o Governo de Principado das Astúrias não permita a sua realização, alegando falta das licenças devidas e o facto de estarem a ser vendidos bilhetes a menores. As associações de defesa dos animais entregaram um abaixo-assinado com mais de 53.000 assinaturas contra o evento e na sexta-feira vão realizar uma concentração de protesto em frente a Câmara de Cangas de Onís.

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