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"Calígula morreu. Eu não" junta atores com e sem deficiência

O tema central da peça que sobe ao palco da sala Garrett no Teatro D. Maria II, em Lisboa, é o absolutismo e a possibilidade de o destruir através de pensamentos assentes na diversidade, inclusão e liberdade. Em palco irão estar atores surdos e com e sem deficiências.
"Calígula morreu. Eu não", peça que estará em cena entre 25 de junho e 4 de julho – Foto do site do Teatro D. Maria II
"Calígula morreu. Eu não", peça que estará em cena entre 25 de junho e 4 de julho – Foto do site do Teatro D. Maria II

A peça é estreada na próxima sexta-feira, 25 de junho, na sala Garrett do Teatro D. Maria II, em Lisboa, e estará em cena até 4 de julho, com espetáculos de terça a sábado às 19h e ao domingo às 16h. É interpretada em português, castelhano e Língua Gestual Portuguesa e Espanhola, com legendas em português.

A peça foi escrita por Cláudia Cedó, tem encenação de Marco Paiva, da Terra Amarela e professor da Crinabel, e junta, segundo a Lusa, atores surdos e com e sem deficiências, numa produção do Teatro D. Maria II e do Centro Dramático Nacional de Madrid, em cujo Teatro Maria Guerrero a peça se estreou, no passado dia 19 de maio.

A peça é baseada na obra “Calígula” de Albert Camus e este projeto nasceu do trabalho desenvolvido por Marco Paiva com o Centro Dramático Nacional de Madrid, a partir de 2012, no âmbito do festival “Una mirada diferente”.

Em declarações à Lusa, o encenador Marco Paiva diz que a peça “Calígula morreu. Eu não” foi pensada para tratar a temática do absolutismo e para mostrar até que ponto, “através de mecanismos e dum pensamento mais assente nas ideias de diversidade, inclusão, liberdade”, é possível criar “mecanismos de destruição destes regimes totalitários e absolutistas que estão muito prementes na obra do Camus”.

Segundo Marco Paiva, a peça “desenvolve-se em dois eixos muito distintos, mas que ao mesmo tempo se cruzam”: “Por um lado, é uma proposta política, no sentido em que buscamos um teatro e uma criação artística assente no direito à diversidade e à liberdade e, por outro lado, é um eixo artístico onde, misturando línguas tão distintas, criativos tão distintos, procuramos encontrar novas formas, novos mecanismos cénicos e de abordagem teatral”.

A peça é protagonizada por Jesús Vidal, um ator cego que venceu o Prémio Goya de ator revelação pela interpretação no filme “Campeones”, em 2019.

Marco Paiva diz que a encenação de “Calígula morreu. Eu não” é também “um desafio ao público para se encontrar com uma nova linguagem teatral” e salienta que essa linguagem junta línguas distintas e “se desafia a ela própria, na medida em que cruza as várias disciplinas presentes em cena”.

Os intérpretes de “Calígula morreu. Eu não” serão Ángela Ibáñez, André Ferreira, Fernando Lapeña, Jesús Vidal, Luís Garcia, Maite Brik, Paulo Azevedo e Rui Fonseca.

A cenografia é de José Luis Raymond, a composição musical, de José Alberto Gomes, o desenho de luz, de Nuno Samora e, a videoarte, de Cláudia Oliveira.

Cada ator e atriz interpreta a peça na sua língua-mãe e o espetáculo terá legendas em português.

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