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Buracos sem fundo na banca

Os cíclicos buracos sem fundo na banca continuam com o beneplácito da Comissão Europeia a absorver escandalosamente os já escassos recursos dos contribuintes. Artigo de José Lopes.
Os quase 12 milhões de fundos públicos injetados na banca entre 2008 e 2014, a que se juntam agora a perda de mais 2.255 mil milhões com o Banif, não podem deixar de indignar as vítimas mais indefesas das dolorosas políticas de austeridade – Foto de Paulete Matos

Os recentes dados tornados públicos, sobre os quase 12 mil milhões de fundos públicos injetados na banca entre 2008 e 2014, a que se juntam agora a perda de mais 2.255 mil milhões com o Banif, não podem deixar de indignar as vítimas mais indefesas das dolorosas políticas de austeridade que a atual maioria parlamentar se propõe travar e que arrastaram significativas franjas da população para o empobrecimento, com cortes nos salários, nas pensões, nas prestações sociais ou nos serviços públicos, como a saúde ou a escola pública, sujeitas a cortes absurdos que os fragilizaram perigosamente.

Mas indignação é o natural sentimento de quem assiste a um cenário político, em que, ao mesmo tempo que a esquerda se une no essencial para fazer valer alguma reposição de salários e pensões, como o esforço financeiro mínimo no atual momento, para que milhares de trabalhadores e pensionistas possam beneficiar de um valor, essencialmente recheado de simbolismo e esperança em melhores dias. Os cíclicos buracos sem fundo na banca, a exemplo do que aconteceu com o BPP, BPN, BES/Novo Banco e Banif já no governo de António Costa, continuam com o beneplácito da Comissão Europeia a absorver escandalosamente os já escassos recursos dos contribuintes, através de apoios públicos que são perdidos em buracos para resgatar bancos e banqueiros que escapam à supervisão. Um verdadeiro regabofe em que cinicamente ainda há quem questione o aumento do salário mínimo em 25 euros por ano ao longo da legislatura, para atingir os 600 euros que dificilmente resgatarão os seus beneficiários da linha de pobreza em que se encontram em tempos de tanto facilitismo para a banca.

Artigo de José Lopes, Ovar

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