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“Bruxelas fica sempre aflita quando se trata de defender um país”

Em entrevista à SIC, Catarina Martins lembrou que Bruxelas falhou todas as previsões sobre Portugal e nunca deu bons conselhos para defender o país. Sobre o esboço do Orçamento, diz que “o Bloco leva os seus compromissos muito a sério” e aponta a “timidez” do ritmo de recuperação de rendimentos.
Catarina Martins entrevistada pela SIC.

A entrevista conduzida por Anselmo Crespo centrou-se na atualidade política em torno do esboço do Orçamento e das dúvidas levantadas por Bruxelas. “A Comissão Europeia fica sempre aflita quando se trata de defender um país”, afirmou Catarina Martins, lembrando que “face à chantagem é sempre preciso ter alguma determinação”.

A porta-voz do Bloco lembrou que Bruxelas apontou sempre o caminho dos cortes dos salários, pensões e serviços públicos, prometendo em troca que a economia ia criar emprego e reduzir dívida pública. “A Comissão Europeia nunca deu um bom conselho para defender o país”, conclui Catarina, sublinhando que no que respeita à economia portuguesa Bruxelas “nunca acertou nenhuma previsão. É difícil acreditarmos que vai começar agora”.

“Para controlar o défice, do que precisamos agora é de emprego para que a economia funcione”, prosseguiu Catarina, apontando “alguma timidez” do esboço do Orçamento de Estado no que toca a esse objetivo. “Precisávamos de uma recuperação de rendimentos mais sólida” para ter impacto na economia e criar emprego, defendeu Catarina.

“A Comissão Europeia está numa deriva de destruição das economias"

Na véspera do debate quinzenal com o primeiro-ministro, a porta-voz do Bloco diz que “nada aconselha a que o governo faça o mesmo que a direita fez”, ao ceder às pressões de Bruxelas para fazer mais cortes.  E lembra que Bruxelas já chumbou os orçamentos de França, Itália e Espanha. “A Comissão Europeia está numa deriva de destruição das economias e cabe aos governos dos países serem claros na defesa da economia e do emprego nos seus países”, acrescentou.

Questionada sobre as consequências de fazer frente a Bruxelas, Catarina perguntou porque nunca se fala das consequências de não se fazer frente à Comissão: “A alternativa é ceder até já não viver ninguém em Portugal? Vamos ceder até vermos a destruição completa da possibilidade de emprego e futuro no nosso país?”, questionou.

“Quando se cede sempre, acaba-se por se ficar pior, com medo de algo que há-de vir e que ninguém sabe o que é. O medo é sempre o pior conselheiro e as democracias não vivem com medo, vivem com exigência”, concluiu Catarina Martins.

Presidenciais: "A ambiguidade não mobiliza ninguém”

E é a exigência que marca a forma como o Bloco encara o debate do Orçamento de Estado para 2016. “Levamos os compromissos que fazemos muito a sério”, afirmou Catarina, dizendo esperar que para além das medidas já implementadas do acordo com o PS, este Orçamento avance no caminho da recuperação de rendimentos. Um caminho que só é possível graças aos eleitores que nas últimas legislativas decidiram votar numa mudança a sério.

“São cada vez mais as pessoas que não aceitam que a chantagem do sistema financeiro e a chantagem europeia sejam o único caminho para o país. O que é determinante é a vontade destas pessoas terem uma mudança. Há uma esperança numa mudança, que não é vaga ou passiva, é uma exigência cidadã, democrática, das pessoas em nome das suas vidas”, prosseguiu Catarina.

A entrevista abordou também as recentes eleições presidenciais e Catarina Martins afirma que Marcelo ganhou “por falta de comparência de outros partidos”, e em particular pela “ambiguidade” que o PS manteve nas presidenciais. Para a porta-voz do Bloco, as quatro candidaturas que se reclamavam da área do PS quiseram encostar-se ao centro político, desmobilizando o eleitorado. “Se se propõe ao país algo diferente do que propõe a direita, há que ser claro sobre o que é essa diferença. A ambiguidade não mobiliza ninguém”, concluiu.


Veja aqui a entrevista completa:

 

 
Entrevista SicN | 28 jan 2016

 

Publicado por Catarina Martins em Quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Termos relacionados Orçamento do Estado 2016, Política
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