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Bruxelas abre inquérito à compra da Monsanto pela Bayer

A comissária europeia da Concorrência respondeu aos peticionários que se opõem ao negócio e diz que a Comissão vai investigar mais a fundo os potenciais danos à concorrência que possam levar ao aumento dos preços, redução da qualidade, menos escolha e menos inovação.
Fotomontagem de Sustainable Pulse.

“Temos de assegurar uma concorrência real para que os agricultores possam ter acesso a produtos inovadores e de melhor qualidade, mas também a comprar esses produtos a preços competitivos”, afirmou a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, em resposta dirigida a muitos milhares de “emails, postais, cartas e tweets” que recebeu por parte dos agricultores e ambientalistas que organizaram petições contra esta fusão.

Os remédios propostos em julho pelas duas empresas para atenuar a perda de concorrência foram mantidos sob sigilo, mas não convenceram a Comissão Europeia. Bruxelas vai agora investigar mais a fundo as consequências deste negócio de 56 mil milhões de euros na concorrência no setor agroindustrial. Entre as “preocupações preliminares” identificadas estão as sementes e pesticidas.

Na resposta aos peticionários para o chumbo da negócio Bayer/Monsanto, a comissária Vestager reconhece a “grande importância” dos outros argumentos apresentados contra a fusão das duas empresas, como “os potenciais efeitos negativos ligados aos produtos da Monsanto e da Bayer, incluindo riscos para a saúde humana, segurança alimental, proteção dos consumidores, o ambiente e o clima”.

Mas essas preocupações “não constituem a base” do inquérito, prossegue a comissária, dado que as duas empresas continuarão “obrigadas a seguir as regras estritas que que vigoram para tratar esses assuntos”. A decisão final da Comissão Europeia será anunciada a 8 de janeiro.

Esta fusão vem agravar a tendência para a concentração da agroindústria. Depois das fusões da  Dow Chemical com a DuPont e da Syngenta com a ChemChina, a da Bayer com a Monsanto vai concentrar cerca de 70% do mercado mundial de agroquímicos nas mãos de apenas 3 empresas, que controlarão também mais de 60% das sementes comerciais, aponta a rede Ifoam-EU, que junta mais de 200 organizações europeias ligadas à agricultura biológica.

As investigações da Comissão Europeia acabaram por dar luz verde às duas anteriores fusões, após as empresas em causa terem sido obrigadas a vender parte do seu negócio na Europa.

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