Bruno da Ponte nasceu em Ponta Delgada em 1932. Veio para Lisboa e formou-se em Economia. Mas as suas atividades mais reconhecidas foram no campo cultural. Foi coordenador editorial da Teorema e fundou a Editorial Minotauro, ativa nos anos 60 e encerrada pelo regime salazarista, e as Edições Salamandra, ativas desde meados dos anos 80 até 2014. Pelo seu trabalho editorial na Colecção Garajau, que publicou 121 títulos sobre os Açores ou escritos por autores açoreanos, foi-lhe atribuída pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores a “Insígnia de Mérito Cívico”.
Foi tradutor para as editoras Livros do Brasil, Editorial Estampa, Publicações Alfa e Bertrand, tendo traduzido, por exemplo, Chomsky, Beauvoir ou o sinólogo Jacques Gernet.
Enquanto galerista, divulgou por exemplo o número inaugural da revista Poesia experimental, organizado por Herberto Helder e António Aragão. Em 1967 foi um dos oradores no 1º Encontro de Críticos de Arte Portugueses.
Foi ainda jornalista no Jornal de Letras e Artes nos anos 60. E, em 1984, fundou a revista Questões & Alternativas.
Fora do país, enquanto esteve exilado, lecionou na Universidade de Edimburgo, a partir de 1968, e trabalhou na editora britânica DEFA onde publicou também o livro The last to leave. Portuguese colonialism in Africa: an introductory outline.
A convite do Governo de Moçambique, foi diretor da Escola de Jornalismo de Maputo durante quatro anos nos anos 80.
Foi um dos fundadores e dinamizadores da associação cultural Abril em Maio, fundada em 1994 e com atividade durante cerca de dez anos.
Bruno da Ponte fez parte do PRP a partir dos últimos anos da ditadura e foi responsável pelas relações internacionais do partido após o 25 de Abril. Era militante no Bloco de Esquerda desde 2002, candidato à Assembleia Municipal de Ponta Delgada em 2009 e mandatário da candidatura do Bloco nas últimas eleições autárquicas, tendo participado em várias campanhas políticas do Bloco/Açores.
O Bloco de Esquerda destaca o contributo inestimável de Bruno da Ponte para a cultura e o combate pela democracia em Portugal e envia as suas mais sentidas condolências aos seus familiares e amigos.
O funeral de Bruno da Ponte realiza-se no domingo às 13h30 no cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada.