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Brasil vai a votos em eleições locais, a campanha foi violenta

Um político brasileiro foi assassinado a cada três dias da campanha eleitoral, foram no total quinze candidatos mortos em 12 estados. Se recuarmos a janeiro, foram 80 políticos locais vítimas de homicídios.
Distribuição de urnas eletrónicas no Rio de Janeiro em véspera das eleições. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Distribuição de urnas eletrónicas no Rio de Janeiro em véspera das eleições. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

No Brasil, a campanha eleitoral para as eleições locais deste domingo foi marcada pela violência. O saldo final é chocante: a cada três dias do tempo de campanha, um político foi assassinado. Estes números foram apurados por Pablo Nunes do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

Segundo a Folha de São Paulo, o investigador contabilizou, desde 17 de setembro, fim das convenções partidárias que oficializaram candidaturas, 14 candidatos a vereador e um candidato a prefeito mortos. Desde janeiro, entre pré-candidatos, candidatos, políticos em funções e ex-políticos, foram 80 os assassinados.

Estes são apenas os casos com efeito mais dramático. O Deutsche Welle acrescenta as informações de outro estudo, das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, que, com base em dados compilados a partir de 2016, concluíram que a cada 13 dias houve um ataque à vida de um político.

O órgão de comunicação social alemão foi inquirir alguns especialistas sobre as razões da violência política que se está a registar. Falou com Másimo Della Justina, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que referiu um crescimento de políticos que têm “um discurso promotor de violência” e que passam a ideia de que o adversário é um inimigo a eliminar.

Outros, como o professor de Direito Constitucional da Fundação Armando Alvares Penteado, Ricardo Corazza Cury, preferem salientar o caráter estrutural deste tipo de violência: “é apenas uma das formas de violência – simbólica ou não – da sociedade brasileira. Parece-me que uma sociedade que possui a doença do encarceramento em massa, que apresenta um racismo excludente e estrutural e que admite o comportamento feminino como causa justificadora do estupro é, sem nenhuma dúvida, uma sociedade doente e violenta”.

E há ainda quem, como Emmanuel Publio Dias, professor de Marketing Político da Escola Superior de Propaganda e Marketing, refira a infiltração da política pelos grupos criminosos organizados, nomeadamente as milícias.

Ao Folha de São Paulo, Pablo Nunes, sublinha o surto de violência das eleições de 2020 mas é prudente quanto às causas. Para ele, nem sequer é possível saber quais destes crimes foram motivados pela política já que nem 10% dos homicídios do país acabam por ser esclarecidos.

Do mapa da violência mais recente feito pelo jornal brasileiro fica o destaque para os estados com mais casos de violência registados em campanha, Pará, Paraíba e São Paulo, cada um com quatro incidentes.

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