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Brasil vai às urnas este domingo

Eleitores vão escolher prefeitos e vereadores (deputados municipais) de 5.568 municípios. Neste artigo, Luis Leiria descodifica a disputa do Rio de Janeiro, uma das mais interessantes do país.
O cantor Chico Buarque e o ator Wagner Moura (de boné na foto) apoiam o candidato do PSOL, Marcelo Freixo. Imagem do vídeo do comício na Lapa.
O cantor Chico Buarque e o ator Wagner Moura (de boné na foto) apoiam o candidato do PSOL, Marcelo Freixo. Imagem do vídeo do comício na Lapa.

De todas as eleições municipais que se realizam este domingo no Brasil, a da prefeitura (câmara Municipal) do Rio de Janeiro é uma das mais interessantes, com uma ponta final onde o 1º lugar já está decidido, mas em que o decisivo é a disputa pelo 2º lugar. Mas se o vencedor já está decidido, o que interessa o resto? É simples: para ganhar as eleições na primeira volta, o 1º lugar tem de ter 50% dos votos válidos, o que, embora não seja impossível, parece pouco provável no Rio. Assim, quem ficar em 2º lugar disputa o segundo turno com o vencedor, uma eleição a dois a realizar-se no dia 30 de outubro. E que é toda uma outra eleição.

Candidatos na ponta final

As sondagens indicam que Marcelo Crivella, senador do Partido Republicano Brasileiro (PRB) e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus vai vencer o 1º turno, tendo permanecido sempre à frente nas sondagens (a última dá-lhe 35%). A disputa para o 2º lugar já esteve empatada a quatro, agora parece envolver apenas dois candidatos: Marcelo Freixo, do PSOL, e Pedro Paulo, do PMDB.

Marcelo Freixo, professor, ganhou destaque nacional quando presidiu à CPI das milícias no Rio de Janeiro, organizações paramilitares mafiosas que disputam o controle das favelas com os traficantes. Por causa disso teve de andar rodeado de guarda-costas anos a fio, foi forçado a exilar-se uma temporada em Espanha e viu o irmão de 35 anos ser assassinado. Recebeu uma homenagem no filme “Tropa de Elite 2” de José Padilha, sendo a fonte de inspiração do personagem Diogo Fraga. Foi eleito pela primeira vez deputado estadual em 2006 e, em 2014, teve a maior votação para deputado estadual do país. Na última sondagem, aparece com 11%.

Pedro Paulo também já foi deputado estadual e atualmente é deputado federal, mas sobretudo é o candidato apoiado pelo atual prefeito (presidente da Câmara), Eduardo Pais. A última sondagem dá-lhe 9%.

A absurda desigualdade dos tempos de TV

Um dado adicional, muito importante: devido a alterações à lei eleitoral aprovadas na Câmara dos Deputados com o contributo decisivo do então presidente da casa Eduardo Cunha, os tempos de TV dos candidatos são absurdamente desiguais. Pedro Paulo foi o mais beneficiado, com um latifúndio de 3 minutos e meio; Crivella contou com 1’:11”; e Freixo teve apenas 11 segundos!

O comício final de Freixo (ver clip aqui), junto aos tradicionais Arcos da Lapa, dá uma ideia da empolgação que a sua campanha despertou, e a importância dos apoios que obteve: o cantor Chico Buarque, (e Caetano Veloso, que não esteve no comício mas entrou na gravação de um clip de vídeo), os atores Wagner Moura e Gregório Duvivier, o líder do Movimento dos Sem Teto, Guilherme Boulos, entre muitos outros. Na ponta final, é previsível que haja uma transferência de votos da candidata Jandira Feghali, do PC do B, que apostou que poderia suplantar Freixo com o seu tempo de TV de 1’:27”, mas acabou por ficar para trás (4% na última sondagem).

Por outro lado, Pedro Paulo tem o handicap da desastrosa gestão de Eduardo Pais mas, além do gigantesco tempo de antena, ainda conta com o apoio da máquina da Prefeitura.

Um disputa emocionante que pode ser vencida por Marcelo Freixo, a caminho do segundo turno.

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Jornalista do Esquerda.net
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