Mediante análise às cápsulas encontradas no local, a Perícia da Divisão de Homicídios conseguiu identificar a origem das munições utilizadas para executar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o seu motorista Anderson Pedro Gomes.
As munições pertenciam ao lote UZZ18, vendido à Polícia Federal, a 29 de dez de 2006. Segundo a perícia da Divisão de Homicídios, as munições utilizadas no crime são originais, ou seja, não foram recarregadas.
Este lote foi também usado em agosto de 2015 em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, num massacre que vitimou 23 pessoas. Neste caso, três polícias militares de São Paulo e um guarda civil foram condenados.
A vereadora Marielle Franco, que se apresentava como “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”, tinha-se tornado relatora da comissão de acompanhamento Intervenção Federal no Rio de Janeiro, tendo há dias denunciado a violência da polícia do estado carioca, que se encontra sob intervenção federal na segurança pública.
Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?
— Marielle Franco (@mariellefranco) 13 de março de 2018
Brasil mobiliza-se contra execução de Marielle Franco
Várias cidades do Brasil têm sido palco de protestos contra a execução de Marielle Franco. No Rio de Janeiro, a mobilização foi massiva.
Nas últimas horas, os pré-candidatos às eleições presidenciais manifestaram o seu repúdio pela morte de Marielle Franco, à excepção do deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro. Segundo o assessor do deputado, a sua opinião seria "polémica demais".
O pré-candidato presidencial do PSOL, Guilherme Boulos, divulgou várias mensagens de pesar pela morte da vereadora, exigindo que as autoridades encontrem os responsáveis:
"Marielle era uma mulher, negra, vinda da favela. Uma mulher que denunciava abusos da polícia. Que era contra a intervenção militar no Rio e tinha coragem de enfrentar. Marielle não sofreu acidente ou assalto: foi executada"
Boulos garante seguir o exemplo de Marielle Franco "e lutar por justiça até as últimas consequências”.
Portugal junta-se aos protestos
Em Portugal, estão a ser convocadas iniciativas em memória de Marielle Franco. Veja aqui a lista das concentrações:
Convocadas várias concentrações em homenagem a Marielle Franco