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Brasil: Muitas incógnitas a resolver nas eleições deste domingo

Lula ganhará no 1º turno? Que fará Bolsonaro? Que farão as Forças Armadas? Eis uma seleção das muitas dúvidas no final da campanha eleitoral mais tensa dos últimos anos. Por Luis Leiria.
Trabalhadoras descarregam as urnas eletrónicas no Rio de Janeiro. Foto de André Coelho/EPA/Lusa.
Trabalhadoras descarregam as urnas eletrónicas no Rio de Janeiro. Foto de André Coelho/EPA/Lusa.

Lula resolve a corrida presidencial já no primeiro turno ou não? Havia uma esperança de que as ultimas sondagens confirmassem a tendência de crescimento do ex-presidente, mas não foi isso que aconteceu: o DataFolha atribuiu 50% dos votos válidos a Lula e Bolsonaro 36%.

Já na sondagem do IPEC, Lula tem 51% dos votos válidos e Bolsonaro 37%. O significado destas sondagens é que está aberta a possibilidade de vitória no primeiro turno do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), mas nada está garantido porque a sua vitória não sai da margem de erro de mais ou menos dois pontos percentuais. O sofrimento vai-se manter até ao fim.

Que fará Bolsonaro?

A outra incógnita é o que vai fazer Bolsonaro. No dia 7 de setembro, o discurso golpista do atual presidente foi desacreditado pela evidência de que as Forças Armadas não estão dispostas a aventuras. Mas Bolsonaro continua a contar com influentes generais, como o seu candidato a vice, Braga Neto, ou o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, o primeiro na reserva e o segundo na ativa.

E o Exército?

Que a situação nas Forças Armadas continua a ser tudo menos clara foi demonstrada pela reação do Exército a uma reportagem do Estado de S. Paulo intitulada “Comando do Exército indica à tropa que não contestará apuração eleitoral”. O jornal assegurava que o Alto-Comando do Exército, composto por 16 oficiais-generais e pelo comandante-geral do Exército, decidira, na sua última reunião, seguir o ritual de reconhecer a proclamação do vencedor pelo Tribunal Superior Eleitoral. Isso significa que o corpo militar, envolvido em testes de um pequeno número de urnas eletrónicas, limitar-se-ia a divulgar o relatório técnico da auditoria a essas urnas.

Mas o Exército desmentiu a reportagem de forma enfática, afirmando tratar-se de fake news. “É lamentável que um veículo de expressão nacional promova desinformação que só contribui para a instabilidade do País”, lê-se em nota oficial, que não explicita qual a posição sobre o papel dessa auditoria .

Nos últimos dias, Bolsonaro disse várias vezes que se a sua candidatura à reeleição tiver menos de 60% dos votos é porque houve fraude. Isto significa que irá fazer essa alegação em qualquer circunstância, já que nenhuma sondagem atual lhe dá 40%, quanto mais 60%!

Confusão no partido do Presidente

O que irá alegar? As mesmas velhas denúncias sobre alegadas fragilidades de um sistema que se tem demonstrado à prova de fraude desde que começou a ser aplicado em 1996.

As mesmas alegações apareceram uma vez mais, desta vez com nova roupagem de linguagem técnica, num relatório publicado com o timbre do Partido Liberal (o atual partido de Bolsonaro), mas sem qualquer assinatura. Curiosamente, na véspera, o presidente do próprio partido, Valdemar Costa Neto, visitara o TSE e afirmara que a fantasiosa “sala secreta”, peça-chave da teoria da conspiração bolsonarista contra as urnas eletrónicas, não existe.

O que irá fazer Ciro Gomes?

A polarização que tem ocorrido nesta eleição entre Lula e Bolsonaro já pôs em declínio a candidatura de Ciro Gomes, e é previsível que o candidato do PDT, na sua quarta candidatura à Presidência, tenha um dos piores resultados de sempre. A última sondagem da IPEC dá um empate entre Ciro e Simone Tebet, ambos com 5%, mas com Ciro a descer e Tebet a subir. A queda pode ter a ver com o voto útil, mas também com a sua última viragem política, de priorizar os ataques a Lula e deixar de lado as denúncias a Bolsonaro.

O fracasso de Ciro ocorre também no seu reduto: o Estado do Ceará. Segundo as últimas sondagens, é possível que o candidato do PDT ao governo do Ceará, apoiado por Ciro, nem consiga ir ao segundo turno.

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net
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