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Brasil: Governo Temer perde o 2º ministro em 19 dias

Fabiano Silveira, ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, demite-se depois de ter sido divulgada uma gravação em que criticava a operação Lava Jato e orientava o presidente do Senado para melhor se defender das investigações de que é alvo.
Funcionários lavam a entrada do Ministério da Transparência aos gritos de "Fora Fabiano"
Funcionários lavam a entrada do Ministério da Transparência aos gritos de "Fora Fabiano"

Apenas 19 dias depois de ter tomado posse, o governo interino do vice-presidente da República do Brasil, Michel Temer, sofreu esta segunda-feira uma nova baixa, com a demissão do ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira. Tal como a anterior demissão, a de Romero Jucá, do Planejamento, Fabiano Silveira foi vítima das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, empresa do grupo Petrobrás, que fez um acordo de delação premiada com o Supremo Tribunal Federal.

Na gravação, divulgada pela rede Globo, ouve-se Silveira a dar instruções ao próprio Machado e ao presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre como se devem comportar diante das investigações de que ambos são alvo por parte dos juízes da operação Lava Jato. Na época da gravação, Silveira era membro do Conselho Nacional de Justiça, instituição pública que deveria ser responsável por aperfeiçoar o trabalho do judiciário, principalmente no que se refere ao controlo e à transparência administrativa. A sua entrada no ministério de Temer foi fruto de uma indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Impedido de entrar no gabinete

Apesar da gravidade da revelação, o presidente interino não quis demitir o seu ministro, temendo um conflito com Renan Calheiros e uma reação em cadeia que atinja outros ministros. Mas Fabiano Silveira não resistiu às pressões no interior do próprio ministério. Na segunda-feira, depois de divulgada a gravação, ele foi impedido de entrar no próprio gabinete por uma manifestação de funcionários que gritavam “Fora Fabiano” e que em seguida lavaram, com esfregonas e sabão, a entrada do gabinete.

Além disso, o ministro foi posto em xeque por uma rebelião de todos os 26 chefes regionais do ministério, que puseram os seus cargos à disposição, alegando não reconhecer a sua autoridade. Foram acompanhados por quase uma centena de funcionários em cargos de comissão.

Crise não termina

A sangria do governo interino não deve parar nesta segunda demissão. Fala-se que as gravações feitas por Sérgio Machado, que já estão na posse do Supremo Tribunal Federal, envolvem ainda outras personalidades e poderiam mesmo incluir o próprio Temer. Já circula uma piada em Brasília que diz que a condição para qualquer político ser nomeado para o governo é não ter conversado com Machado.

Outra nuvem escura que paira sobre o governo interino é a delação de Marcelo Odebrecht, presidente da empresa de construção com o mesmo nome, que deverá provocar um sismo de alta intensidade no país. Fala-se que o empresário irá detalhar os gastos em todas as campanhas políticas recentes que financiou, o que atinge tanto a candidatura à Presidência de Dilma Rousseff e de Michel Temer, quanto a de Aécio Neves, do PSDB.

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Jornalista do Esquerda.net
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