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Bomba que matou 40 crianças no Iémen foi vendida pelos EUA

O Iémen é palco há mais de três anos de uma guerra em que um lado é apoiado pela Arábia Saudita e outro pelo Irão. A administração de Obama foi recordista da venda de armas à Arábia Saudita.
Bomba que matou 40 crianças no Iémen foi vendida pelos EUA
A venda desta bomba foi proibida em 2016 na sequência da explosão num funeral. Donald Trump voltou a permitir a venda no ano seguinte. Foto de Maddllock2/Twitter.

O Iémen assistiu no passado dia 9 de agosto à morte de 40 crianças na sequência de um ataque à bomba a um autocarro. Segundo uma investigação da CNN, feita em conjunto com jornalistas locais e especialistas em munições, sabe-se agora que era uma bomba de 227 quilos guiada por laser, fabricada pela empresa norte-americana Lockheed Martin e vendida à Arábia Saudita em 2015. A Lockheed Martin é uma das principais empresas que faz negócios com o ministério da Defesa dos Estados Unidos da América. 

Este bombardeamento foi reivindicado pela coligação liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos da América. Para além das 40 crianças, faleceram mais 11 pessoas e outros 79 ficaram feridos. 

O senador Bernie Sanders já comentou esta notícia, dizendo que é hora de os EUA “pararem de apoiar esta guerra catastrófica”. “Não podemos dizer que não sabíamos. Ao invés de fornecer bombas e a capacidade de reabastecimento, deveríamos estar a fazer o possível para criar uma resolução pacífica no Iémen e fornecer ajuda humanitária”, afirmou Sanders na rede social Twitter.

A presidência de Barack Obama foi recordista de venda de armas à Arábia Saudita. A venda de armas teleguiadas, porém, foi suspensa em 2016 na sequência de uma explosão num funeral que matou 115 civis. Barack Obama alegou “preocupação com os direitos humanos” para interromper a venda destas bombas em particular.  Donald Trump, no entanto, retomou a venda das mesmas no ano seguinte. 

Há mais de três anos que o Iémen assiste a uma luta entre o regime sunita e os Houthi, rebeldes xiitas, que controlam uma grande parte do governo do Norte do Iémen. O governo está no exílio desde 2014 e conta com o apoio da Arábia Saudita. Já os rebeldes xiitas são apoiados pelo Irão. Este conflito é considerado por muitos um pretexto para um medir de forças entre o Irão e a Arábia Saudita.

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