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Bloco requer vinda de acionistas de Almaraz ao parlamento

As três multinacionais espanholas proprietárias da central de Almaraz vendem no seu conjunto cerca de 40 por cento da eletricidade consumida nas casas e indústrias portuguesas.
"As companhias que acumulam estes lucros devem ouvir e responder às preocupações e à exigência unânime da Assembleia da República: fechar Almaraz", afirma Jorge Costa

As três multinacionais espanholas proprietárias da central nuclear de Almaraz têm grandes negócios em Portugal. No seu conjunto, vendem cerca de 40 por cento da eletricidade consumida nas casas e indústrias do país. O Bloco de Esquerda requereu a audição no parlamento dos representantes em Portugal da Endesa, da Iberdrola e da Gas Natural Fenosa.

Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, em maio de 2016 a quota de mercado da EDP era de 45,3 por cento. A segunda posição passou a ser da Iberdrola, com 16,7 por cento, seguida da Endesa, com 16,5 por cento em maio. O quarto maior fornecedor de eletricidade em Portugal é a Galp, com 8,2%. A Gas Natural Fenosa situa-se nos 4,9 por cento.

Para o deputado Jorge Costa, que subscreve o requerimento do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, "as companhias que acumulam estes lucros devem ouvir e responder às preocupações e à exigência unânime da Assembleia da República: fechar Almaraz".

A central de Almaraz está fora do seu prazo de vida e é um investimento amortizado há muito tempo - e por isso de alta rentabilidade. Mas Almaraz coloca em risco as populações e o meio ambiente de ambos os lados da fronteira.

Deputados espanhóis no Parlamento português

Pedro Soares, deputado e presidente da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, afirmou que será proposto aos deputados espanhóis o agendamento de uma “reunião ibérica”, a ter lugar em Lisboa, com o objetivo de discutir um conjunto de questões relacionadas com a central nuclear de Almaraz.

Ao jornal “Público”, o parlamentar do Bloco afirmou que “o deputado Ricardo Sixto comunicou-nos que iria propor que viesse a existir uma reunião ibérica, interparlamentar, em Lisboa, proximamente”, tendo acrescentado que “[A ideia passa por juntar] os porta-vozes dos vários grupos parlamentares espanhóis numa reunião em São Bento, no Parlamento, na qual o tema fosse precisamente a questão do nuclear e as preocupações portuguesas sobre a segurança e continuação da central nuclear de Almaraz”.

Na sequência da reunião que decorreu em Madrid na passada quinta-feira, Pedro Soares disse ainda ao "Público": “Tive oportunidade de explicar ao deputado Ricardo Sixto que há uma grande convergência no nosso país relativamente a esta questão”.

E recordou que “já houve duas votações no Parlamento por unanimidade, uma a reclamar o encerramento de Almaraz e outra a condenar a autorização para a construção do armazém temporário”.

O parlamentar do Bloco fez ainda notar que do lado espanhol há igualmente apreensão em relação à central nuclear de Almaraz.

“Ricardo Sixto referiu-nos que tinha preocupação relativamente a esta questão, porque há um conjunto de centrais nucleares espanholas que estão a atingir os 40 anos e o debate sobre o prolongamento dessas centrais vai estar presente no parlamento espanhol”, afirmou.

“Ele próprio, como presidente da comissão de energia, vai procurar que haja um entendimento maioritário no parlamento espanhol no sentido de haver um progressivo desmantelamento das centrais”, realçou Pedro Soares.

Pedro Soares disse que do lado espanhol há igualmente apreensão em relação à central nuclear de Almaraz.

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