You are here

Bloco questiona ministro da Saúde sobre urgências nos hospitais

Na sequência da morte de David Duarte devido a um aneurisma, o Bloco questinou o ministro da Saúde sobre a capacidade de resposta existente nos hospitais públicos para o tratamento de situações urgentes.
O ex-ministro da Saúde do governo PSD/CDS, ignorou uma proposta feita por especialistas que teria evitado a morte do jovem. Foto de Paulete Matos

No documento, os bloquistas começam por referir que “desde 2013, após o corte imposto pelo governo do PSD/CDS no pagamento de horas extraordinárias a todos os funcionários públicos, que o hospital de S. José perdeu a equipa de Neurorradiologia de intervenção que fazia escala ao fim de semana”, acrescentando que “em 2014 o mesmo sucedeu com a equipa de Neurocirurgia Vascular”.

“Este facto, lê-se no documento, levou o Bloco a questionar, por diversas vezes, o anterior governo porque entendíamos que a situação impossibilitava uma resposta imediata e urgente em casos onde é imperativo atuar no mais curto espaço de tempo, como é o caso da rutura de um aneurisma cerebral”.

Para os bloquistas, “este estado de prontidão não se coaduna com um hospital onde durante o fim de semana não se realiza neurocirurgia vascular razão pela qual todas as pessoas que deem entrada naquele hospital a partir das 16 horas de sexta feira terão que aguardar ao até ao dia útil seguinte para tratar o aneurisma”.

Segundo o documento “o anterior governo reconheceu, por variadas formas, a insuficiência dos serviços prestados no Hospital de São José mas nada fez para ultrapassar essas insuficiências”.

“Desta forma, refere o Bloco, não foram reforçadas as equipas, não foram eliminados os cortes impostos ao trabalho extraordinário dos médicos, nem sequer foi criada uma solução que passasse pela transferência destes doentes para Santa Maria”.

Perante este quadro, os bloquistas dirigiram algumas questões ao actual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, para “saber se o atual governo tem conhecimento da situação exposta e que medidas urgentes serão aplicadas, de forma imediata, para que o hospital de São José volte a ter as equipas de neurorradiologia e de neurocirurgia vascular durante a os fins de semana”.

Para conhecer a situação existente a nível nacional, o Bloco quer ainda saber “quais as unidades hospitalares do país onde existem equipas de neurocirurgia vascular e quantas destas funcionam aos fins de semana”.

A finalizar perguntam se o governo considera “adequado elaborar uma norma de orientação clínica (NOC) para o tratamento e referenciação de doentes com rutura de aneurisma? “

Bastonário relaciona esta morte com os cortes no setor da saúde

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, afirmou, por seu turno, que a “ausência da equipa” que poderia ter operado o doente evitando a sua morte ficou a dever-se “aos cortes e não à falta de médicos, porque esta equipa se recusa a trabalhar ou a estar de prevenção ao fim de semana em troca de remuneração atribuída pelo Estado”.

Em declarações à TSF, o bastonário disse que “provavelmente há muitos mais casos” semelhantes ao do jovem que morreu uma vez que a equipa médica que o poderia salvar recusa trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Estado paga.

durante dez anos, os médicos disponibilizaram-se para estar de prevenção gratuitamente, mas a situação degradou-se acabando por ficar insustentável porque quando os médicos eram chamados, tinham de pagar para trabalhar e salvar a vida dos doentes

E acrescentou: “ durante dez anos, os médicos disponibilizaram-se para estar de prevenção gratuitamente, mas a situação degradou-se acabando por ficar insustentável porque quando os médicos eram chamados, tinham de pagar para trabalhar e salvar a vida dos doentes”.

Refira-se que a prevenção aos fins de semana de neurocirurgia vascular está suspensa desde 2014 e da neurorradiologia de Intervenção desde 2013.

Paulo Macedo ignorou proposta para resolver a situação

O bastonário da Ordem dos Médicos disse ainda à agência Lusa que “quatro equipas de Intervenção apresentaram em maio uma proposta para garantir esta assistência especializada ao fim de semana”, mas o ministro da Saúde do governo PSD/CDS, Paulo Macedo, “nunca respondeu” aos clínicos.

De acordo com a Lusa, a proposta entregue a Paulo Macedo lembra que os hospitais Egas Moniz, Garcia de Orta, São José e Santa Maria dispõem de capacidade técnica humana já instalada referindo ainda que os diretores daquele serviço sentiram "a responsabilidade de agregar esforços a fim de dar resposta a mais um desafio que se apresenta ao atual Serviço Nacional de Saúde (SNS) demonstrando, desta forma, disponibilidade e capacidade para cumprir o dever deontológico e assistencial associado a esta patologia aguda”.

Nesta proposta, sublinha a Lusa, os diretores de serviços de neurorradiologia dos hospitais acima referidos chegaram a um consenso que permitia assegurar a componente de terapêutica intra-arterial no AVC agudo em conjunto, constituindo um único serviço de urgência metropolitana a funcionar 24 horas por dia durante os sete dias da semana, que era assegurado entre os quatro hospitais de forma articulada com a via verde de AVC.

Artigos relacionados: 

AttachmentSize
PDF icon Pergunta do Bloco de Esquerda263.08 KB
Termos relacionados Sociedade
(...)