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Bloco questiona governo sobre “secretas privadas”

A notícia da criação de uma empresa formada por ex-quadros do SIED que vende segredos a políticos e empresários motivou um pedido de explicações do Bloco ao primeiro-ministro. José Manuel Pureza quer ver cumprido o "período de nojo" previsto na lei sobre a incompatibilidade de funções dos ex-espiões.
Foto Alper Çuğun/Flickr

Segundo a edição desta quinta-feira do Diário de Notícias, a empresa Intellcorp integra antigos quadros do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e propõe-se ajudar políticos e empresários “para que o seu caminho seja mais fácil”, segundo afirma um dos seus fundadores.

“O que eles fazem é a recolha de informações, não só através de fontes abertas, mas também através dos canais próprios e contactos que têm. Conseguimos em poucas horas saber tudo ou quase tudo sobre alguém”, prossegue David Santos, em declarações ao DN.

Para José Manuel Pureza, a notícia relata uma situação que, “pela sua gravidade, está a criar enorme alarme social”. O deputado bloquista acrescenta que a promiscuidade da atuação destes “ex-espiões” em empresas com estes fins levanta “legítimas razões para o país temer que os mais diversos segredos, informações, contactos ou fontes obtidos por aqueles ex-funcionários, no exercício das suas funções nos Serviços de Informações da República Portuguesa, possam ser instrumentalizados para os mais variados interesses políticos, partidários ou empresariais”.

No requerimento dirigido ao gabinete de António Costa, que tutela os serviços de informações, José Manuel Pureza desafia o governo a garantir o cumprimento da lei em matéria de “período de nojo”, lembrando que o Bloco tinha apresentado na anterior legislatura a proposta de um período mínimo de três anos entre a saída dos quadros dos serviços de informações e a sua passagem para o setor privado. A lei em vigor consagra um “período de nojo” até três anos em caso de manifesta incompatibilidade de funções, sob despacho do do Secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa.

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