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Bloco questiona Governo sobre “corte inaceitável” na agência Lusa

Bloco salienta que a Lusa “vive há demasiados anos numa situação de subfinanciamento crónico” e pergunta ao governo se está disposto a reverter decisão. Sindicato dos Jornalistas também questionou o executivo, alertando para o prejuízo “no serviço público”.
Há unanimidade entre quem trabalha na Lusa contra o corte de 462 mil euros, edifício da agência – Foto de António Cotrim/Lusa
Há unanimidade entre quem trabalha na Lusa contra o corte de 462 mil euros, edifício da agência – Foto de António Cotrim/Lusa

O presidente do conselho de administração (CA) da Lusa, Nicolau Santos,  já disse que não vai cumprir com o corte de 462 mil euros no orçamento da agência, imposto pelo governo.

Também a direção de informação, assim como editores, delegados e chefes de redação da Lusa se posicionaram contra o corte. Posição semelhante já tinham tomado a Comissão de Trabalhadores, o Conselho de Redação e os sindicatos.

Bloco pergunta ao governo como justifica perda de qualidade do serviço público e despedimentos

O Bloco de Esquerda questionou os ministérios da Cultura e das Finanças. Na pergunta assinada pelo deputado José Manuel Pureza, lembrando que “o acionista Estado aprovou um limite de 3.630 milhões de euros na rubrica de Fornecimentos e Serviços Externos, correspondente a um corte de 11% face ao que estava aprovado pelo Conselho de Administração” e destaca que os ORT’s (órgãos representativos dos trabalhadores) da agência alertam que essa rubrica “paga muita da atividade diária jornalística da agência”, incluindo salários de correspondentes e avençados.

O Bloco salienta também a importância da agência e do serviço público que ela presta, sublinhando que nunca teve o “adequado financiamento”. No documento, destaca-se que, de acordo com o presidente do conselho de administração, a decisão governamental “coloca o orçamento da agência no valor mais baixo desde há duas décadas”.

A concluir, o Bloco pergunta ao governo como justifica um corte que levará “a uma brutal perda da qualidade do serviços da agência e a despedimentos de trabalhadores jornalistas”, como denunciaram já a comissão de trabalhadores, o conselho de redação e os sindicatos e pergunta ainda se está disponível para “reverter” o corte e “com isso, proteger a Agência Lusa e o direito a uma informação plural e rigorosa”.

Unanimidade entre quem trabalha na Lusa contra o corte de 462 mil euros

Nesta terça-feira, o presidente do conselho de administração da Lusa, Nicolau Santos, disse que o corte é “incongruente” por ameaçar o funcionamento da agência e anunciou que não o vai cumprir.

“Se não houver qualquer evolução nesta decisão, então é evidente que pela primeira vez em duas décadas a Lusa não cumprirá o Plano de Atividades e Orçamento, sujeitando-se o presidente do Conselho de Administração às respetivas consequências”, anuncia-se num comunicado assinado por Nicolau Santos.

No documento é também referido que o presidente do CA está “a desenvolver insistentes contactos com diversos membros do Governo e da Assembleia da República, visando explicitar o que está em causa e quão incongruente é este corte, porque coloca seriamente em causa o próprio contrato de prestação de serviços assinado entre o Estado e a Lusa”.

Também nesta terça-feira a direção de informação da Lusa fez saber que não está disposta a cortar nos pagamentos ou nos correspondentes.

Em nota enviada aos trabalhadores da Lusa e assinada pela diretora de informaço, Luísa Meireles, pelo diretor-adjunto, Vítor Costa, e pela subdiretora, Margarida Pinto, é referido: “em qualquer caso, a DI [Direção de Informação] não estará nunca disposta a aplicar medidas que impliquem cortes nos pagamentos ou no número de correspondentes”.

Segundo a nota, a posição da direção de informação é partilhada pelas restantes Direções Comercial e Marketing, Áreas de Suporte e Inovação Novos Projetos, e “solidarizam-se todas com a posição assumida pelo presidente do Conselho de Administração”.

Já nesta quarta-feira, chefes de redação, editores, editores-adjuntos, coordenadores e delegados da agência Lusa rejeitaram qualquer corte em pagamentos ou na rede de correspondentes, na sequência da redução de 462 mil euros.

"Em causa está a continuidade de dezenas de colaboradores, fundamentais para o trabalho da agência na cobertura de temas tão importantes e diversos como incêndios florestais, eleições, autarquias, atualidade dos países de língua portuguesa e comunidades no estrangeiro, competições desportivas ou eventos culturais", lê-se no comunicado que divulgaram aos trabalhadores.

No documento, 62 jornalistas com cargos de chefia, edição e coordenação alertam para "os graves riscos de perda de qualidade e abrangência do serviço noticioso e para o consequente incumprimento do contrato de prestação de serviço público a que a empresa está obrigada".

Questionando também o governo, o Sindicato dos Jornalistas voltou a alertar “para o efeito que o corte referido causará no serviço público assegurado pela única agência de notícias do país”.

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