Bloco quer que governo esclareça os concursos da DGArtes

24 de May 2018 - 17:28

Em dois pedidos de esclarecimento, o Bloco endereçou perguntas ao ministro da Cultura sobre os concursos de apoio às artes e questionou o Governo sobre a sobrevivência dos projetos artísticos excluídos.

PARTILHAR
O Bloco considera que “o Ministério da Cultura não pode adiar mais a assunção de responsabilidades pela implementação de um modelo que se revelou inadequado, depois de um processo demasiado longo”.
O Bloco considera que “o Ministério da Cultura não pode adiar mais a assunção de responsabilidades pela implementação de um modelo que se revelou inadequado, depois de um processo demasiado longo”.

Em dois pedidos de esclarecimento sobre os resultados do programa de apoio sustentado da Direção-Geral das Artes e sobre a sobrevivência dos projetos culturais, o grupo parlamentar do Bloco quis questionar “o Governo sobre a forma de atribuição dos reforços de verbas que foram sendo desorganizadamente anunciados, durante abril e maio do presente ano, que serviriam, supostamente, para corrigir a contestada injustiça dos resultados preliminares”.

“Mesmo com os reforços, os resultados finais determinaram que alguns candidatos elegíveis, ou seja, candidatos que o júri considerou merecedores de financiamento, não fossem financiados. Se numa primeira fase o Ministério da Cultura alegava falta de verbas para justificar este facto, após ter surgido a possibilidade extraordinária de haver um reforço, não se compreende como continua a existir uma linha de exclusão que perpetua injustiças.”, lê-se no documento.

Assim, o Bloco “considera que os princípios que definiram os montantes e as regras de atribuição dos reforços de verbas, além de nunca terem sido claros, mantiveram resultados injustos”, razão pela qual quer saber como é que o governo justifiça que “após a possibilidade de reforços extraordinários de verbas, tenham sido excluídas dos concursos a financiamento às artes várias candidaturas elegíveis” e “como foi determinado o montante necessário para reforçar as verbas dos diversos concursos”.

Noutro documento, o partido afirmou que “o Ministério da Cultura não pode adiar mais a assunção de responsabilidades pela implementação de um modelo que se revelou inadequado, depois de um processo demasiado longo”. Lembrando que os resultados “geraram contestação sem precedentes” e que o processo “culminou em desorganizados anúncios de reforço de verbas sem critérios de aplicação claros”, descartando “projetos artísticos estruturantes”, o Bloco afirma que “não se compreende como continua a existir uma linha de exclusão que perpetua injustiças”, depois de “ter surgido a possibilidade extraordinária de haver um reforço”.

Assim, quer saber “que respostas tem o Ministério da Cultura para as estruturas que têm vindo a sustentar oferta pública cultural portuguesa ao longo do tempo, tendo já contado com financiamento público, e que agora sofreram grandes cortes ou ficaram excluídas do concurso”.

Os concursos do Programa de Apoio Sustentado da DGArtes, para os anos de 2018-2021, começaram com um montante global de 64,5 milhões de euros em outubro. No início de abril, passaram para os 72,5 milhões, após contestação no setor. Mais tarde, o governo anunciou novo reforço para um total de 81,5 milhões de euros. Segundo publicação em Diário da República, o valor final foi de 83,04 milhões.

Os reforços derivaram da ampla constestação feita no setor, desde associações a estruturas isoladas e a sindicatos da área, que questionavam os critérios usados pelos júris, para os primeiros resultados provisórios, e contestavam a exclusão de companhias que não só têm um passado de apoios públicos mas também décadas de existência.