You are here

Bloco quer ouvir Chefe do Estado-Maior do Exército demissionário

Dois dias após ser questionado pelo governo sobre a discriminação a alunos homossexuais no Colégio Militar, o General Carlos Jerónimo apresentou a sua demissão, que foi prontamente aceite pelo Presidente da República. O Bloco quer ouvi-lo no parlamento.
Quotidiano de discriminação por orientação sexual no interior no Colégio Militar já fez cair o Chefe do Estado Maior do Exército. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

As denúncias de exclusão dos alunos homossexuais no Colégio Militar motivaram um pedido de esclarecimento por parte do ministro da Defesa ao Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME). Dois dias depois, o general Carlos Jerónimo apresentou a sua demissão. Esta quinta-feira, o Bloco deu entrada na Assembleia da República com um pedido de audição do agora ex-responsável do exército português.

“Era do conhecimento da hierarquia militar a discriminação em função da orientação sexual no Colégio Militar? Era a orientação das chefias? Já tinha havido denúncias sobre esta discriminação? Que medidas tinham sido implementadas para que esta situação terminasse? Estas são as questões que importa responder e que justificam o presente requerimento”, dizem os deputados bloquistas Pedro Filipe Soares e João Vasconcelos no pedido de audição.

Lembrando o princípio da igualdade que o artigo 13º da Constituição consagra, os deputados do Bloco interrogam-se: “É com o peso da responsabilidade do incumprimento do instituído na Constituição da República Portuguesa que acontece o pedido de demissão do Sr. General Carlos Jerónimo de Chefe do Estado-Maior do Exército? Essa é também uma das respostas que devemos alcançar com a audição requerida”.

A saída do general Carlos Jerónimo tornou-se pública na página da Presidência da República, através de um curto comunicado em que Marcelo Rebelo de Sousa anuncia que aceitou o pedido de exoneração do CEME e lhe agradece “os relevantes serviços prestados ao País”.

Embora não tenham sido tornados públicos os motivos da demissão – fonte de Belém disse à Lusa que foram alegadas "razões pessoais" –, a saída do CEME surge dois dias depois do ministro da Defesa lhe ter pedido esclarecimentos sobre a discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar, "bem como sobre as medidas que pretende adotar, enquanto responsável pelas orientações superiores”.

A exclusão de alunos homossexuais no seio daquela instituição, com a complacência da sua direção, foi reconhecida há dias numa entrevista do subdiretor do Colégio Militar ao portal Observador. O Bloco de Esquerda também tinha pedido explicações sobre a matéria, com a deputada Sandra Cunha a solicitar a audição do Tenente Coronel António José Ruivo Grilo na subcomissão parlamentar para a Igualdade e Não Discriminação, de forma a que o subdiretor do Colégio pudesse prestar esclarecimentos aos deputados sobre a discriminação de que são alvos os alunos homossexuais.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política
(...)