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Bloco quer incluir todas as autarquias servidas pela Carris na gestão da empresa

"Se o Governo tivesse conversado com os vários partidos antes de ter avançado, este processo [da Carris] poderia correr de uma forma mais proveitosa”, recordou Catarina Martins. Coordenadora do Bloco visitou escola em que chove dentro das salas.
Catarina Martins e Joana Mortágua visitaram a Escola Secundária Ferreira Dias, no Cacém, em que chove dentro das salas. Foto de Paulete Matos.

À margem de uma visita à Escola Secundária Ferreira Dias, no Cacém, concelho de Sintra, que contou com a presença da deputada Joana Mortágua, Catarina Martins foi questionada sobre a posição do Bloco no debate da apreciação parlamentar que o PCP requereu em relação à municipalização da Carris, não tendo os comunistas ainda decidido se apresentam propostas de alteração ou se avançam simplesmente para a revogação do diploma do Governo socialista.

"Eu não sei qual é a proposta. Nós não apoiaremos a cessação de vigência do decreto-lei, se ela for proposta, mas apoiaremos sim alterações ao decreto-lei no sentido de os vários municípios que são servidos pela Carris estarem incluídos no modelo de gestão da Carris e não apenas o município de Lisboa", defendeu.

A coordenadora assegurou que os bloquistas vão apresentar propostas próprias sobre esta matéria, lembrando que o partido sugere há muitos anos uma gestão intermunicipal dos transportes coletivos.

"Se o Governo tivesse conversado com os vários partidos antes de ter avançado, este processo poderia correr de uma forma mais proveitosa", sustentou, apesar de garantir que "o partido não quer voltar ao que existia anteriormente" já que "era um mau modelo".

Para Catarina Martins, "foi bom ter-se acabado com a privatização" porque a "Carris deve ser gerida pelos municípios" que dela precisam, porque "não tem nenhum sentido que os concelhos que são servidos por transportes coletivos não tenham uma palavra a dizer sobre esses transportes".

"O Bloco de Esquerda proporá alterações no sentido de um modelo de gestão em que as várias autarquias que são servidas pela Carris tenham uma palavra a dizer sobre a gestão", anunciou, recordando que "Lisboa não é o único município servido pela Carris".

Catarina Martins visitou escola em que chove dentro das salas

Na visita à escola,onde teve a oportunidade de ver os problemas estruturais com que aquela instituição se debate, uma vez que chove dentro das salas e há espaços que estão interditos, uma vez que há risco para os alunos.

"O que nós queremos agora é que no próximo inverno isto não se repita e para isso é necessário que o plano de investimento nas escolas seja conhecido e que inclua as escolas que precisam de obras, que tenha os montantes suficientes para fazer as obras estruturais que as escolas precisam e não apenas obras de cosmética, que depois não respondem à pressão do inverno com a chuva e finalmente que sejam planificadas já", defendeu.

De acordo com a edição de hoje do Diário de Notícias, o Governo tem 320 milhões de euros para recuperar escolas do ensino básico, secundário e pré-escolar, um financiamento em grande parte europeu e cujas obras, previstas em 500 escolas, têm que ser feitas até 2020.

A coordenadora do Bloco de Esquerda admite que esta "é uma resposta que vem muito tarde" e que "o investimento já devia ter sido feito há mais tempo".

"Apresentamos projetos de resolução, perguntas, requerimentos, fizemos debates no parlamento antes do verão para evitar que este ano letivo fosse assim e aqui estamos com mais um inverno com chuva dentro das escolas", lamentou. Catarina Martins alertou para a necessidade de se perceber "se o plano inclui todas as escolas que precisam de estar incluídas".
 
"Em segundo lugar, que o investimento previsto para as escolas seja um investimento que resolva os problemas e não que adie problemas como tem acontecido até agora por as verbas serem curtas demais para as necessidades que existem", avisou ainda.

A líder bloquista defendeu que "se comece já a planificar as obras de forma a elas poderem começar mal o tempo o permita e se possa planificar o próximo ano letivo nas melhores condições porque obras que são grandes nas escolas naturalmente depois também têm impacto".

"E nós não queremos, no próximo inverno, estar outra vez a falar disto como já estivemos a falar no passado. Queremos sim estar a falar de soluções", sublinhou.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, disse no debate quinzenal que há condições para se iniciarem obras em 200 escolas no país, incluindo a Alexandre Herculano, no Porto, tendo então o Bloco considerado que se tem "andado devagar demais" em relação aos serviços públicos.

O caso mais mediático entre os problemas das escolas é o da escola Alexandre Herculano, que na segunda-feira de manhã retomou parcialmente a sua atividade, com aulas para os alunos da unidade de multideficiência, tal como estava programado, depois de estar encerrada desde quinta-feira por chover dentro das salas de aula.

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