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Bloco quer explicações sobre "Operação Miríade"

O partido quer ouvir no Parlamento o ministro da Defesa para explicar um caso classificado como “muito grave”. Para João Vasconcelos, João Gomes Cravinho “desvalorizou o que se estava a passar” e deveria ter comunicado a situação ao primeiro-ministro.
Logotipo do contingente militar português na República Centro-Africana. Foto de Tiago Petinga/Lusa.
Logotipo do contingente militar português na República Centro-Africana. Foto de Tiago Petinga/Lusa.

O Bloco de Esquerda anunciou que vai chamar ao Parlamento o ministro da Defesa, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e o Chefe de Estado-Maior do Exército a propósito da operação Miríade que desmantelou uma rede criminosa que operava a partir das tropas portuguesas presentes na operação de manutenção de paz da ONU na República Centro-Africana.

Neste âmbito, no passado dia 8 de novembro, a Polícia Judiciária executou cem mandatos de busca e fez onze detenções, entre as quais vários militares, um agente da PSP, um guarda da GNR e um advogado. Em causa estão crimes como contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas com objetivo de branquear capitais.

O caso gerou uma polémica política quando foi conhecido que o Ministro da Defesa não comunicou as diligências que estavam em curso ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro. O deputado João Vasconcelos, em declarações ao Fórum da TSF, explica que o Bloco quer que João Gomes Cravinho seja ouvido porque “desvalorizou o que se estava a passar”, uma situação que classificou como “muito grave” e “inusitada”.

Para o deputado bloquista, “não se percebe quais as razões do senhor ministro da Defesa não ter informado o Primeiro-Ministro”, para que este, depois, pudesse informar o Presidente da República.

No requerimento apresentado, o partido sublinha precisamente esta como uma das duas questões que quer ver esclarecidas. O documento apresenta uma primeira questão em que se pretende “uma explicação cabal sobre os processos de controlo à chegada ao território nacional destes militares transportados em aviões da Força Aérea Portuguesa e outras aeronaves ao abrigo das missões da ONU”. E uma segunda sobre “partilha de informação” e “tomada de decisão política após o conhecimento das informações que levaram à abertura da investigação judicial”.

Para o grupo parlamentar do Bloco, “não se encontra qualquer razão para que a informação sobre a existência desta rede criminosa – aliás partilhada com as Nações Unidas – não tenha sido partilhada com outros órgãos de soberania do Estado português”.

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