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Bloco quer explicação para a falha de medicamentos

Em 2018, faltaram nas farmácias portuguesas mais de 64 milhões de embalagens, mais 15 milhões do que foi verificado em 2017. Perante isto, o Bloco pediu uma audição ao Conselho Diretivo do Infarmed para explicar estas ausências.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

Entre os principais medicamentes em falha, alguns considerados essenciais pela Organização Mundial de Saúde, encontram-se o Sinemet (um medicamento para o Parkinson), o Tarjenta (para a diabetes tipo 2), a aspirina GR (para tromboses e enfartes), o Spiriva (doença pulmonar obstrutiva crónica) e o Adalat (hipertensão).

No requerimento que endereçou ao Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, o Bloco lembrou ainda os medicamentos que a indústria descontinuou, ou tentou descontinuar, por já não os considerar suficientemente rentáveis.

“Em maio de 2018, a farmacêutica Roche decidiu retirar do mercado um medicamento que na sua fórmula em xarope era utilizado nos tratamentos de crianças imunodeprimidas, nomeadamente, situações oncológicas ou de crianças com HIV, decisão que apanhou de surpresa médicos e pais de crianças que necessitavam deste medicamento. Esta retirada do mercado não estaria relacionada com nenhuma questão de eficácia, qualidade ou segurança deste medicamento, mas sim com uma razão economicista: o medicamento teria deixado de ser atrativo do ponto de vista económico para a farmacêutica e ela deixou de ter interesse em mantê-lo no mercado”, pode ler-se no documento, a título de exemplo.

“Certo é que as falhas de medicamentos e dispositivos acontecem vezes de mais e na maior parte das vezes as responsabilidades são imputáveis à indústria que ora quer descontinuar medicamentos mais baratos para os substituir por outros mais caros, ora orienta o seu stock para outros países onde os medicamentos são comercializados a um valor superior; outros casos em que se verificam falhas de abastecimento porque a indústria quer ganhar força negocial para renegociar os termos da contratualização e os preços acordados com o Infarmed”, afirma o Bloco.

Assim, e sabendo das ocorrências de falhas que aconteceram durante o ano de 2018 e das consequências que isso tem na vida dos doentes, o Bloco de Esquerda pretende ouvir o Infarmed na Comissão Parlamentar de Saúde para saber das causas para as ruturas registadas durante o ano de 2018, sabendo também se essas falhas são imputáveis à indústria.

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