You are here

Bloco quer apoios efetivos contra incêndios

Denunciando a inoperância do Programa de Desenvolvimento Rural, o Bloco apresentou no Parlamento um conjunto de medidas para a prevenção e defesa da floresta contra incêndios, que irão a discussão na próxima sexta-feira.
Foto retirada de bombeiros.pt

Os fogos ocorridos nos últimos dias, alguns ainda por controlar, vêm renovar a ideia da urgência da alteração de paradigma das políticas florestais em Portugal, conferindo maior peso à prevenção.

O incêndio em Pampilhosa da Serra continua ativo e já chegou ao concelho de Arganil. Em Nelas, um incêndio que deflagrou esta segunda-feira mobiliza cada vez mais meios. A nova vaga de incêndios, já depois do fim do verão e da fase Charlie, provocou duas vítimas mortais em Sabugal e em Oleiros. Dois bombeiros ficaram feridos em Pampilhosa da Serra esta segunda-feira, na sequência de um despiste. Outro bombeiro sofreu queimaduras de segundo grau durante o combate ao incêndio em Nelas.

O Bloco já recomendou ao Governo a revisão do período crítico de incêndios, tendo em conta que os cenários de alargamento do tempo seco e quente para além de setembro tenderá a agravar-se com os efeitos das alterações climáticas. Os acontecimentos das últimas semanas demonstram que o período atualmente definido como crítico já não está de acordo com a realidade, o que dificulta a deteção dos incêndios e a mobilização de meios para os apagar.

Em Projecto de Resolução apresentado na semana passada pelos deputados Carlos Matias e Pedro Soares, o Bloco recomenda ao Governo que preveja o alargamento do período de vigilância direta da floresta e agilize a execução do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) em todas as ações que visem a prevenção de incêndios florestais e a plantação de árvores autóctones de forma a melhor adaptar a nossa floresta aos efeitos previstos das alterações climáticas, nomeadamente as operações 8.1.3 (Prevenção da Floresta contra Agentes Bióticos e Abióticos) e 8.1.5 (Melhoria da Resiliência e do Valor Ambiental das Florestas).

Para além dessas medidas, os deputados bloquistas querem maior envolvimento das organizações de produtores, representativas das regiões onde os incêndios causam maiores prejuízos, na preparação do próximo quadro comunitário de apoio – QCA.

O Bloco reivindica ainda que sejam tomadas as necessárias medidas para incentivar a gestão em conjunto de áreas contínuas no minifúndio com iniciativa a partir das Zona de Intervenção Florestal (ZIF), de associações de produtores ou de autarquias locais, e que, no próximo QCA, se crie um pacote de medidas agro-ambientais para compensar os produtores florestais pelos serviços ambientais, sociais e paisagísticos que prestam à sociedade.

Governo anuncia reabertura de postos de vigia

Esta terça-feira, o Governo anunciou que a Rede Primária de Postos de Vigia de incêndios da Guarda Nacional Republicana, que integra 72 dos 236 postos de vigia das florestas, será reativada a partir de amanhã, dia 11 de outubro, e vai estar em funcionamento até ao final deste mês.

Segundo o Ministério da Administração Interna, os Grupos de Reforço distritais também foram "reforçados e ativados face às necessidades operacionais" e foram constituídos "Pelotões de Militares", para matéria de vigilância, "que estão a ser acionados sempre que necessário".

O executivo adiantou ainda que reforçou o dispositivo de bombeiros "com mais 820 operacionais, o que corresponde a um total de 2763" bombeiros, e que, ao todo, serão "cerca de 6400" os elementos que compõem atualmente o dispositivo de combate aos incêndios.

Foi, igualmente, anunciado o "alargamento dos contratos de meios aéreos até ao final do mês de outubro". Estão disponíveis atualmente para o combate aos incêndios "dois aviões pesados, dois aviões ligeiros e oito helicópteros médios", aos quais se junta a frota do Estado, que inclui "três helicópteros ligeiros e três pesados".

Ainda que as temperaturas se tenham mantido idênticas às do verão, e que o risco de incêndio permaneça muito elevado, arrancou, a partir de 1 de outubro, a Fase Delta de combate aos incêndios, o que levou ao encerramento dos postos de vigia e à redução de meios, que foi de 40% em relação à época mais crítica.

Termos relacionados Incêndios florestais, Política
(...)